quinta-feira, 22 de junho de 2017

Afinal... Quanto maiores os testículos, maiores os cornos.

Post da série: "Títulos do caralhão" inusitadamente iniciada pela querida Susana Rodrigues.

Para finalizar o tema dos incêndios gostava só de lembrar que quando arde floresta, não são só as árvores que se vão. Tudo quanto é bicho se fina, igualmente.

No distrito de Bragança, por exemplo, reside a maior população de cervos do país, também há lobos, corços, cabras-montês, raposas, javalis, gatos bravos, "ratos-do-lameiro" (desconhecidos no resto do país), coelhos bravos, lebres, ouriços cacheiros, raposas e esquilos, águias, corujas, falcões, mochos e cegonhas, cobras, licranços e víboras cornudas.

Há. Ainda há. Mas toda esta riqueza depende exclusivamente da floresta. Com os incêndios também ela arde. Também ela se perde.

Não são só as árvores que se vão. Estes também.

Pronto. Era só mesmo isto.

(...)

Agora para desanuviar o ambiente e fechar aqui o blogo-capítulo incêndios que muito me tem desgastado explico-vos o título.

O veado vermelho é o maior mamífero da Península Ibérica e os machos possuem um grande par de hastes. Sim, "hastes" (caem e voltam a crescer a cada ano); não "cornos" (que não caem) como escrevi no título... Mas bom, lá conseguiria eu resistir a título tão do... Enfim, coiso.

O tamanho das hastes está relacionado com a idade do animal, pelo que a cada ano estes desenvolvem hastes maiores (que perdem depois da reprodução, começando a nascer novamente passadas quatro ou cinco semanas).
É de facto impressionante como é que se desenvolvem estruturas daquelas apenas num ano.
E o que aquilo pesa, senhores?!

Mas...

O tamanho das hastes também está diretamente relacionado com o tamanho dos testículos do animal (quantidade de testosterona produzida).

Sendo que, machos só com um testículo (muito raros) só têm uma haste. Geralmente pequena.

Sendo, igualmente, que estes machos só com um testículo costumam ser fatais quando lutam com os pares por altura da época de acasalamento* porque em vez de "encaixarem" o par de hastes no do vizinho, simplesmente espetam a pequena haste que têm mandando o vizinho bi testicular para o céu dos machos alfa wannabe.

Pronto. Era só.

Dizei lá que não aprendeis coisas interessantes comigo, hum?! 



*Entre Setembro e Novembro. Podeis ir ver e contribuir para o desenvolvimento regional. É a única época do ano em que os machos socializam com as fêmeas. Os machos bramem muito alto e andam todos (machos e fêmeas) mais ativos a cirandar pelo monte. É a melhor época para os observar. Pesquisai brama do veado no Parque Natural de Montesinho e fazei-vos à vida. Não deiteis beatas pelas janelas do automóvel se fizerdes o favor.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nunca, NUNCA, ninguém quis saber…

Ontem ao ler este post da flor percebi que ia ter que voltar a pôr o dedo na ferida. 
Por muito que me custe. Não ficaria bem comigo se não o fizesse.

Também eu carrego muita raiva e, como lá disse, não é de agora em virtude destas almas que se foram. Também eu nasci e cresci no interior rural e desde que tenho consciência de mim que me lembro do cheiro a terra queimada, de ver in loco gente a chorar, desesperada. Uns anos tocava a uns, uns anos tocava a outros. Solidariedade de uns anos para os outros. Agora ajudas-me tu, para o ano ajudo-te eu. Morria sempre gente, o sicrano ou o beltrano, do sítio de além ou do de aquém, que munido de giestas foi abafar o fogo. Que os bombeiros haviam chegado tarde. E se não tivessem sido os homens das giestas então é que haveria de ter sido bonito. 

Todos. Todos. Todos os anos. Qual desgraça anunciada. Sempre o mesmo filme. Sempre. No telejornal eram certas como a morte a reportagem sobre os incêndios e a reportagem das filas de trânsito na Nacional Azul a caminho do Algarve. Certo como a noite que chega depois do dia. Assim continua. Tirando a parte da nacional. As nacionais que agora só estão lá como alternativa, como via de fuga. Ou não.

Fatal como o destino. Os verões da minha infância/juventude cheiraram invariavelmente a terra queimada. Mais perto ou mais longe. Mas o cheiro chegava sempre. Durante vários dias respirava cinzas. Triste fado! 

NUNCA, repito NUNCA, ninguém quis saber… 

Não é de agora, nem deste governo nem do anterior, nem do passado. Nunca ninguém quis saber. Nunca ninguém fez nada com pés e cabeça, com futuro, com estrutura.

Décadas depois tudo igual. Sempre os mesmos desgraçado, desgarrados, a sofrer na pele. Portugueses de segunda, praticamente tribais.

Nunca ninguém quis saber e assim continuará… 

Porquê?!

Porque planear algo neste foro custa dinheiro, muito dinheiro, e levará tempo, não muito mas ainda assim tempo, a dar frutos. Não compensa. Na nossa cultura política imediatista, populista, tachista e oportunista, não compensa investir. Mais vale ter fé na Nossa Senhora e esperar que os hectares ardidos não sejam mais que os do governo anterior. Isso basta para se celebrar.

Porque a nossa floresta não é economicamente rentável e porque quem sofre as consequências são meia dúzia de gatos pingados sem expressão eleitoral. E toda a falta de estrutura, gestão e organização se baseia simplesmente nisto. É dinheiro sem retorno.

Porque é utópica a questão de obrigar os privados a limpar os terrenos. Os “privados” de que falamos são os pobres, os tais difíceis de salvar como disse o nosso PR. Os terrenos de que falamos são terrenos agora sem valor económico, terrenos não registados, terrenos que foram herdados ou comprados a vizinhos com o dinheiro da venda dos vitelos numa altura em que ainda se tinha força para fazer alguma coisa e antes dos filhos emigrarem para a França. Não são do Estado, pois não, mas também não se sabe de quem são. São terrenos de ninguém.  São delimitados por pedras e árvores e quando muito haverá um papel escrito à mão a confirmar a transação. São micro parcelas de terreno de 400 m2. Já nem sequer existem caminhos para se chegar aos do monte. Só a pé com uma catana a desbravar caminho por entre os terrenos vizinhos, qual Rambo. 
A sério? Como se faz? Como se pode obrigar?... Não obriga. Assume o Estado a limpeza, e é se quer. Por outro lado, quem os registou, tem ali nada mais nada menos que um fardo e um mundo de preocupações. Tomaram muitos privados, donos de terrenos, ser nesta altura expropriados.  (Outra coisa, será a gestão da floresta feita pelas concessionárias das estradas, por exemplo… Não é disso que falo.)

Porque o pôr militares, reclusos, beneficiários do subsídio de desemprego ou de outros a limpar a mata não funciona. Simplesmente não funciona. É tentado há mais de dez anos, com despachos em Diário da República e tudo, como manda a sapatilha, mas… Na prática não funcionou. Porquê não sei, mas não funcionou.

Porque a reflorestação se faz à base de pinheiros e eucaliptos (estes, originários da vizinha Austrália, que já representam um quarto da floresta nacional). Porque os carvalhos ou sobreiros demoram muito tempo a crescer (é preciso esperar 25 anos até se conseguir tirar cortiça de um sobreiro) e porque, já se sabe, montes pelados ainda que nos entretantos são muito pouco sexy. Era preciso haver uma concertação praticamente intergeracional entre os diversos governos. Não vai acontecer. Porque o eucalipto ainda que sendo inflamável dificilmente morre num fogo. Diziam-me os velhos, quando fizeram da Serra Marão um enorme eucaliptal, algures nos inícios dos 90s, que eram árvores demoníacas aquelas. Que a cada fogo por que passavam, recuperavam cada vez mais rápido e mais fortes. Parecia que gostavam de fogo, as diabas. Refloresta-se com eucalipto porque é mais fácil. Pronto. E até cheiram bem e tudo.  E são verdes. Pronto, está resolvido. Secam tudo o que há à volta, mas isso não interessa. Ninguém sabe, ninguém quer saber, o que importa é haver sombra para aquele piquenique pitoresco que uma vez no ano decidimos fazer para proporcionar às nossas crianças o contacto com a natureza. Cá agora questiúnculas de árvores. É tudo verde, carai. Tudo igual. (Nesta altura dos post já nem sei se ria se chore...)


Porque há três estruturas com responsabilidades na defesa da floresta e gestão de incêndios. Não uma: Três! O Instituto de Conservação da Natureza (Ministério de Agricultura), a GNR e a Proteção Civil (ambos do Ministério da Administração Interna). Ora, pois que já devíamos ter a capacidade analítica de perceber que estas co-responsabilidades entre instituições nunca funcionam, apesar de, lá está, na teoria serem muito lindas. Não funcionam porque cada instituição é uma capela, cada capela acha-se mais importante que a outra, cada capela tem os seus directores e presidentes, cada qual com o seu umbigo. Quando corre bem, dão os três pulos de alegria, com as conversas dentro de cada capela a ir ao encontro do “Se não fossemos nós…”. Cada uma das três… “Ai se não fossemos nós…”. Quando dá para o torto, cada uma das três sacode a água do capote o mais ferozmente que consegue. “Não, desculpa, isto é da responsabilidade deles…” Não dá. Não funciona. Não há abnegação nem maturidade para tal. Muito lindo no papel, mas não dá.

Porque… E como já referi anteriormente num post sobre o Vara e a CGD não se podem pôr bons… sei lá, amigos, digamos assim, aos comandos de um Boeing só porque estes têm carta de ligeiros. Não dá. Vai dar merda. Eu conheço gente muito capaz em muita coisa. O meu marido, por exemplo, é muito capaz lá nos algoritmos dele. Eu também lhe tenho estima e é muito boa pessoa. E também percebe de números e é um curioso da biologia. Mas nunca, em consciência e responsabilidade, o indicaria para gerir, sei lá, o hospital de São João. Só poderia dar merda, não é?! Pois é… (Mas o meu marido é uma pessoa muito capaz, que disso não restam dúvidas.) E temos um secretário de Estado que é um porreiro, grande amigo de Costa, e de Vara já agora, e temos uma ministra que, pronto, alguém com ligações partidárias me disse que andou com ela ao colo. Pronto, vá. Por si só isso não lhe tira mérito é verdade, todos andámos ao colo de alguém. Mas essa ministra recusa ajuda, pronta à espera na fronteira. Com o argumento de que muita gente atrapalha… É perigoso. Pois é. Verdade. Gente impreparada, munida de giestas a tentar abafar o fogo ao pé de bombeiros são mais uma fonte de preocupação que uma ajuda. Concordamos todos, senhora ministra. Não somos estúpidos. Agora... Ter gente formada e preparada a pedir para ajudar, e o pobre em aflições levantar problemas… Eu também não percebo nada do assunto, que não percebo…. Mas às tantas, nem que fosse só para 60 dos nossos irem descansar depois de dias enfiados naquele inferno… Se calhar… Hum?! Assim já não era muita gente. Eram os mesmo… Saíam 60 nossos, entravam 60 deles... 

Não?! Porque não?

Porque… Às tantas… Mais vale deixar arder que mostrar ao vizinho muito melhor sucedido na matéria que não fazemos a mais pálida ideia do que andamos a fazer. Verdade. Como diz o povo, não temos de dar a nossa vida a saber a ninguém e antes parecer estúpido que mostrar efectivamente que o somos… Uma coisa são meios aéreos… Andam lá no alto, um ou outro, nada sabem e pouco vêem do que se passa no terreno. Isso, tudo muito bem. Outra coisa é termos os vizinhos a meterem o nariz no nosso guisado. Logo eles, que já fizerem parangonas a dizer que não estamos preparados para lidar com isto… Filhos de uma grandessíssima, mãe!

Mas agora penso, talvez seja esta pressão externa que leve alguém a fazer alguma coisa. Têm feito grandes destaques noticiosos a propósito desta nossa triste situação (aqui, por exemplo). Talvez o espicaçar do orgulho leve alguém a fazer alguma coisa.

Talvez os espanhóis nos estejam a ajudar mais do que aquilo que pensam.

Resumindo e concluindo.

A conservação da floresta é uma prioridade. É. Toda a gente parece concordar. Alguma coisa tem que ser feita. Pois tem. Toda a gente parece concordar.

Mas…

Tudo isso custará dinheiro. Muito dinheiro. Ou é uma cagada engendrada às três pancadas... 

(entretanto... Partidos querem aprovar reforma florestal num mês: http://observador.pt/2017/06/21/partidos-querem-aprovar-reforma-florestal-num-mes/

A sério?! Here we go again...)

Mas dizia eu, ou é uma coisa mal amanhada e engendrada às três pancadas para calar o povo, mais do mesmo portanto, ou custará muito, muito, dinheiro.

Acontece no entanto que...

O orçamento de Estado não estica.

Para fazer a tal limpeza e conservação estrutural da floresta, que o país brada de dedo em riste, há dinheiro que não vai ir para outro lado. O dinheiro que se investir na floresta vai falhar na Educação, ou na Saúde, ou na Ciência, ou na Segurança, ou na Segurança social, ou na… Não sei aonde... Mas vai falhar!

E agora penso… Se questionados, quantos portugueses estariam dispostos a abdicar de algo que os afecte diretamente em prol da floresta e dos desterrados? Quantos, hum?! Não sei se seriam assim tantos... 





segunda-feira, 19 de junho de 2017

No blogue como na vida.

Custa-me verbalizar o que me aflige. O que me consome. O que me atormenta e me rouba noites de sono. E se me custa pôr em palavras o que me dói, aterroriza-me a ideia de o fazer despropositadamente. em local ou forma imprópria. Por pudor. Por respeito.

Cada vez mais este blogue é uma versão light de mim. Só tenho vontade de escrever o que me é ligeiro. As minhas graçolas, as graçolas dos meus filhos. A graçola ligeira em que amiúde transformo a minha vida para que não se me esmoreça o sorriso. E por consequência, qual circuito de dominó, os sorrisos dos que existem comigo. Lá vamos indo. A rir e a cantar, muitas vezes por entre os pingos da chuva.

Não me lembro de ter aqui escrito pesarosas palavras sobre qualquer atentado, acidente, ou catástrofe de massas. Porquê?! Como já disse, por respeito. Por pudor. Porque no post imediatamente abaixo deste tenho uma graça do meu filho. Porque não saberia que post escrever a seguir. Como se este blogue, versão ligeira de mim, não fosse digno de assuntos sérios. Porque seria desenquadrado.

Sou muito sensível.
Foram noites seguidas com pesadelos com o prédio de Londres. Um inferno, noite após noite. Acordei sobressaltada. Também eu queimada. Gritos, filhos lançados pela janela, gente fechada numa incineradora gigante... Interruptor ininterruptamente no On. O cérebro sempre ligado. Sempre lá, sempre no fogo. Ai... E as pessoas que reclamavam o número de mortos? Que eram mais, muito mais... E eu a querer irromper ecrã adentro e dizer-lhes que não, que aquele não era o número de mortos, era o número de cadáveres. Dizer-lhes que outros mortos tinham, na verdade, sido cremados. Estavam ali sim, mas desfeitos em cinzas algures naquele monstro de betão. Almas expostas a 900ºC. Inencontráveis, portanto.

Este Sábado foi um dia bom para nós. Muito bom, Fomos passar o fim de semana fora. Almoço com família alargada, sesta com o filho mais novo, dia de praia perto de perfeito. As crianças felizes. Areia e cabelos molhados. Histórias de dezenas de caranguejos, à sombra a descansar. Duches quentes que a praia foi longa e jantar ligeiro. Saí para caminhar à beira mar. Até me doerem as pernas. Eu comigo. Feliz. Na ignorância. Regressei e deitei-me a ler. Internet algures, perdida com o telemóvel, talvez no saco da praia. Adormeci cedo e cedo acordei. E vivi tudo outra vez. Aquele inferno. Aquelas labaredas. O calor. O calor que me calou. Outra vez. De site em site. Calada. Sozinha. A remoer.

E depois estrebucho. E depois grito.

Porque somos o País que deposita as fichas todas na Nossa Senhora de Fátima.
Porque somos o país que não tem um plano de emergência nacional. 
Porque somos o país que não sabe o que há de fazer quando a catástrofe chega. 

E porque há de a catástrofe chegar? 
Pois se temos o Ronaldo e o Salvador Sobral, que sentido é que isso faz? Quem poderia prever?

Porque isto não foi a queda de um autocarro ao Rio (catástrofe fechada, semelhante à queda de um avião, sabe-se exactamente quem procurar).
Porque isto não foi uma enxurrada fruto de chuva e mais chuva. Muita chuva, mas durante um espaço relativamente curto de tempo.
Não. Isto foi uma catástrofe aberta (quem?! quem procuramos?) prolongada no tempo (como?! como paramos isto?). Isto é difícil. Pois é. É difícil aqui e em qualquer parte do mundo. Mas isto não foi inesperado. Não foi um tsunami. Foi um incêndio numa zona vulnerável num dia muito quente.

Não há qualquer plano de acção para isto no nosso país. Não existe. Nem para catástrofes fechadas, nem para catástrofes abertas. Catástrofe grandes, pequenas, ou assim-assim. Em qualquer caso é, basicamente, o salve-se quem puder. Morra 1, morram 10, morram 100, morram 1000. Caia água do céu, abra-se a porta do inferno, trema a terra, caia um avião. Não há nada. Que Nossa Senhora nos proteja.

Lembrais-vos de quando se evadiram prisioneiros de Caxias ainda este ano? O que se fez?! Ligou-se o 112 e, posteriormente, deu-se o alerta por email. Por email! E isto é o que acontece. Quer seja num incidente ou numa catástrofe. Vai-se indo e vai-se vendo. E depois logo se vê e faz-se o que se pode. E depois ninguém se entende. E depois anda tudo numa roda vida a correr em frente, quase sempre afinal em círculos, sem saber para onde se vai. Quais galinhas sem cabeça. E ninguém acode. E ninguém sabe. Ninguém sabe que instituições fazem o quê, onde começam os deveres de uns e os de outros. Tudo ao molho e fé em Deus. A "articulação" entre a instituição X e a Y não é mais que uma negociata ali decidida, a quente (literalmente), e em quaisquer cinco minutos. Num desperdício absurdo dos poucos recursos que temos, Não há articulação. Não há organização. Não há prevenção. Não há nada. Nada de nada. Há fé. 

E isto não pode ter apanhado ninguém de surpresa.... Avisos e mais avisos. temperaturas incendiárias previstas. Anunciadas. Embandeiradas. Uma zona desordenada, não tratada, de pinhal e eucalipto que arde invariavelmente todos os anos. E que este ano... Num fim de semana tórrido... Olha... Foda-se... Ardeu!! E esta, hein?! É que foi mesmo imprevisível, bolas!

Mortos. Dezenas e dezenas de mortos. Gente deixada à sua sorte... Gente num inferno. 

E a culpa?! A culpa ainda há de ser da falta de formação... De voluntários!!! Voluntários a quem se exige que entrem no inferno. Porque... Porque sim, então?! Gente a quem se dá uma palmadinha nas costas, qual ossinho que se atira para debaixo da mesa ao canito.

A culpa?! A culpa há de ser do calor. E do vento. E da trovoada.

Nunca das pessoas com capacidade de decisão. Isso não. Porque o São Marcelo disse logo na noite de Sábado que se fez tudo, tudo, tudinho, o que se pôde. E logo no dia a seguir a PJ encontrou a precisa árvore onde tudo começou. Raios partam lá isto, que azar o nosso. 

Pronto, já estrebuchei. Já me calo que a partir daqui só pode sair disparate.
Talvez vá vomitar antes.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

(Artista de) Variedades.

[Jr.] Mãe, pode-se casar homem com homem?

[NM] Pode.

[Jr.] Pois. Eu já sabia. 

(...) 

[Jr.] Mas sabes o que era bom?

[NM] O quê?

[Jr.] Um homem com o cabelo muito esticadinho assim penteadinho para o lado, casar com um homem com muitos caracóis, com muito cabelo assim para cima... 

[NM] Ai é?! E então isso era bom porquê?

[Jr.] Para haver variedade.

(...)

Enfim, lógicas!

O silêncio dos outros.

É na verdade possível que o silêncio dos outros a uma nossa invectiva se deva a medo, a falta de capacidade de resposta, a implícita anuência, a comprometimento ou a falta de coragem. Diz que sim, que é possível. Há relatos.

Mas é, porém, igualmente verdade que o mais certo é que o silêncio dos outros seja só a tradução de um simples e singelo "Pró caralho, que não estou para te aturar." Assim mesmo... Sem complicações.

Não nos é o mais lisonjeiro, pois que não é. Mas bom, lá teremos de viver com isso.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Se isto não é sinal que preciso de férias então já não percebo nada...

Eu tenho uma pata de elefante. E uma planta com o mesmo nome.

Todos os dias, depois de jantar, deito-lhe a água que sobrou nos copos e sempre correu tudo muito bem. Há a rega semanal e o mimo diário. Sempre fomos muito cúmplices. Eu e a minha pata de elefante.

Mas hoje... Bom... Depois dos restos da água, hoje dei por mim a atirar-lhe para o vaso os grãos de arroz que os miúdos deixaram cair na toalha.

E a ingrata nem abanou o rabo nem nada.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu até postava alguma coisa...

Era só preciso ter alguma coisa para contar.

(...)

Quer dizer...

Não sei se conta, mas hoje ao ouvir os Deolinda dei comigo a pensar que era bem engraçado a Ana Bacalhau ter filhos com o meu amigo Zé Brás. Não era tão castiço um Francisquinho Bacalhau Brás? Era pois...




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Selinho Blog em Bom - A escolha de NM

Antes de mais devo esclarecer que esta blogo-situação não me calhou em dia nada apropriado porque hoje é o dia do meu aniversário - Yey! Parabéns a mim! Ora então acontece que hoje tirei o dia para fazer aquilo que eu sei fazer melhor: rien de rien, que é como diz pernas ao alto, ou, por outras palavras, sopas e descanso. E claro que, como toda a gente sabe, os dias de trabalho é que são bons para isto do blogo-convívio, que nos tempos livres uma pessoa tem, enfim, mais que fazer.

Também queria deixar uma palavrinha à Palmier que criou o selinho mais parolo piroso enfim, kitcsh que pode existir à face da terra. É tão mau, tão mau, mas tão mau, que dá a volta quinze vezes e fica extraordinário.


De qualquer das formas, e assim num instante que tenho de ir acabar o nada que estive a fazer o dia todo, queria aproveitar esta fantástica oportunidade do sempre atento Pipoco Mais Salgado, para piscar o olho a um blog do qual tenho muitas saudades, numa esperançosa tentativa de o resgatar às blogo trevas. Há três bogs dos quais sinto verdadeiramente falta: os das minhas amigas xaxia e Sexinho (mas isso é outra conversa) e o TalqualmenteOutro do nosso Outro Ente, que tanta animação trouxe em tempos ao blogo-convívio.

É então o TalqualmenteOutro a minha escolha para Blog em Bom.

Outro Ente: Um grande beijinho da sua NM. Espero sinceramente que a vida lhe (vos) corra pelo melhor.

As minhas escolhas para dar continuidade a esta bonita e salutar corrente envolvendo bloggers de bem e espírito elevado são:

http://lindaporcaoucheirodeestrume.blogspot.pt/

http://amariasoueu.blogspot.pt/

http://aserioputo.blogspot.pt/

http://pseudoblogdapseudo.blogspot.pt/

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt/

Blogo-colegas, se não estiverem para o arraial, ou para o circo como disse a Mãe Preocupada, finjam-se de mortas. Aquilo da morte do panda bebé é só o Dr. Salgado na reinação.

Instruções aqui.






terça-feira, 30 de maio de 2017

Ai isto dos blogs anda uma seca?! Como assim? Ora vinde cá, vinde cá que vos vou ensinar algo que vos extasiará de tão desconcertante que é.

Não, não é o cheiro da maresia, da terra molhada, da relva recém cortada ou do café acabado de fazer ou moer. Também não é o cheiro dos livros. Nem o do pão a sair do forno.
E não, também não é o cheiro da gasolina, da cola ou da tinta. Nem o do fumeiro de Trás os Montes, vede lá.
De todos os cheiros, o que mais me emociona é, de longe, o do leite hidratante Mustela. Emociona-me. Emociona-me verdadeiramente. Cá por coisas, em casa dos meus pais sempre houve creme Mustela a rodos, pelo que até aos 18 anos a minha vida cheirou a Mustela. E é a Mustela que cheiram as minhas recordações de infância e adolescência. Uso Mustela para as mãos só para sentir o cheiro (em abono da verdade o creme não é lá grande coisa). É algo que me faz sentir que tenho a minha vida nas mãos. E tenho. Literalmente.
Sei que é um cheiro que muita gente gosta.
O que muita gente não sabe é que "Mustela", o cheiro da minha vida, é...
{rufar de tambores}
O nome científico das...
{rufar de tambores}
Do-ni-nhas!
Badum-Tsssss....
(...)
Pois é. É a vida.
Não sabieis, ora não? Pois claro que não...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Já cheira mal...

Cheira, cheira. Cheira que eu bem o sinto na pele. Do nariz.
É que eu cheiro tudo. Tudo, muito e sempre. Há dias em que me é díficil lidar com o cheiro das pessoas, dos sítios, das coisas, do Mundo em geral. Qualquer dia deixo-me de pruridos e começo a andar de mola no nariz. Já faltou mais. É que se houve coisa que as minhas duas gravidezes me trouxeram, além de dois filhos... lindos de morrer (pronto vá, ponhamos as coisas assim) e estrias, foi um olfacto apuradíssimo. Que foi ficando e ficando, que ao início tinha a sua graça, mas que agora pagava bom dinheiro para me ver livre dele.

Às vezes ponho-me a pensar que de todos os sentidos que se me podiam ter aprimorado, o olfacto teria sido a minha última opção. Quer dizer... O olfacto ou o paladar, tenho dúvidas... Ter hiper-paladar também não deve ser nada fixe.

Se na primeira gravidez fiquei com um olfacto que, sim senhora, me deixava perceber se um café tinha ou não açúcar ou se o bacalhau com natas tinha ou não pimenta; na segunda a coisa aprimorou de tal maneira que agora cheiro tudo a quilómetros e passados anos. Bom, se calhar estou a exagerar um bocadinho, mas tenho de facto um olfacto (que giro!) que me permite, por exemplo, saber quem foi o último vizinho a andar no elevador, se a fruta está madura ou se as pessoas estão a reutilizar roupa.
Por falar nisso... Pessoas, lavai a roupa. A sério. O cheiro a Dove do vosso duche matinal misturado com o cheiro a transpiração da camisa do dia anterior põe-me com náuseas logo de manhã. Neste particular, e já que falo nisto, tenho a tese que as mulheres reutilizam mais vezes a roupa (pelos menos as partes de cima) que os homens.
Já há muito que deixei de equipar o meu filho no balneário porque ao fim da tarde os putos cheiram particularmente mal. Além disso, as pequenas criaturas nunca devem tirar as sapatilhas de dentro da mochila, que lá ficam a fermentar a semana toda... E eu cheiro aquilo com as mochilas fechadas... Então quando se calçam mesmo ali ao pé de mim... Jasus! Até me dão tonturas.
Não. Não dá.



E pessoas... Não deis puns ao pé de terceiros. De mim, em particular. É chato. Põe-me muito mal disposta.
Por favor.
Obrigada.

Por-favor!


Unrequited Love.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Hoje foi o dia..

Em que me esqueci do pin do meu cartão multibanco. 

Esqueci-me, pronto! Kaputt! Foi-se! Desapareceu-me do cérebro! Vazio total. Folha em branco e bola de palha no faroeste. 

E eu ali feita parva... A tentar pagar o ATL do miúdo. Três tentativas, um cartão bloqueado e uma cabeça cheia de vento.

Agora já me lembrei (acho, pelos menos, que não consigo verificar), mas fiquei assutada e a cismar no assunto...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Contra factos...

Estimado marido é motoclista.
 
Diz que hoje foi por um triz que não foi abalroado por uma condutora que após três pontapés e um rotativo no código ainda lhe gritou um "ENTÃO?!" assertivo e carregadinho de não-razão.
Encontraram-se no semáforo em frente, marido parou ao lado e ainda lhe disse que ela poderia muito bem ter ficado sem carta graças à habilidade que tinha acabado de fazer.
Outra vez assertiva, mas desta vez carregadinha de razão, ela respondeu: "Pois podia, mas quem ia parar ao hospital eras tu."
 
E é isto.
 
Marido diz que não lhe espetou um banano porque era mulher. Ora, nem mais... Deito-me com um sexista e não sabia.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Deve ser para garantir o bom hálito...

- Oh mãe, hoje a professora disse que têm de se lavar os dentes com pasta de flor.




E foram precisos quase nove anos, para num domingo, tarde e a más horas...

Me ter apercebido que existe sinalética de saída de emergência, bem por cima da porta do meu gabinete.



E as vezes que eu já saí pela janela em momentos de aflição, senhores?!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Língua Portuguesa e a lógica da batata*.

Ora então:

Mictar: 

1. Expelir urina. = URINAR


Micterismo:

1. Semblante severo ou carregado; má catadura. = CARRANCA, SOBRECENHO
2. Dito desdenhoso ou escarnecedor. = CHACOTA, TROÇA, ZOMBARIA


Que língua mais simples e clara, esta nossa...


*E pode ser mesmo a lógica da batata do post de baixo, que tanto parece um coração como os tintins de um velhote.

"mictar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mictar [consultado em 19-05-2017].

"micterismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/micterismo [consultado em 19-05-2017].

Adenda: O dicionário Priberam é cocó, o da Porto Editora é que é. Se fui ao Priberam é porque sou amiúde acometida de paragens cerebrais. Toda a gente sabe.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

E depois acontece.

Olhas para baixo e tens uma fratura tectónica entre os pés. E sabes que tens uma e uma só opção a tomar. Mas esperas. Não decides por impulso. Já pouco fazes por impulso. A vida tem-te mostrado que o impulso pouco tem de franqueza. Acreditas até que nada mais é que fraqueza. A fraqueza da irracionalidade. Esperas. Pensas. Racionalizas. Decides. Tu. E vais, direita, para uma das placas. Pelo teu pé. Com a certeza que nada te amolecerá a verticalidade. És o que és. Aqui e ali. Em todo o lado. Para o bem e para o mal. És honesta. E vertical. E só a tua almofada sabe o quão tranquila se deita a tua consciência. Todas as noites. É tão mais simples a vida assim. Sem truques na manga. És o que és. Fazes o melhor que consegues. Às vezes consegues mais, às vezes consegues menos. Ouves os teus filhos rir com as macacadas do pai e sabes que tudo se resolverá. Porque sim. Porque a vida, às vezes, treme. Mas enquanto ouvires as teus filhos rir, o mundo tremer-te-á suavemente sob os pés. Até sorris. Com cócegas. 
Vamos lá.
Dar o salto.
Crescer.
Viver.
Tudo está bem.
É o que é.
A vida, às vezes, treme.
O mundo treme.
Tu tremes.
Mas não te vergas.
Por nada.
Antes tombar, que logo te levantas.
Viver vergada nunca.
Faz mal às costas.

sábado, 13 de maio de 2017

Tuga private.

E agora o nosso rapaz, futuro comendador - adivinho, pisava o palco, agarrava-se aos safanões aos apresentadores e gritava:

Amanhã é feriado, c@ralho!!!!

(E depois a mana Luísa e a restante comitiva começava lá trás aos pinchos... E esta merda é toda nossa, olé!, olé!... Era lindo ou não, carai?)

O problema do 13 de maio de Marcelo.

Marcelo saiu de Fátima em direção ao Marquês em marcha de emergência.
 
E eu que estou a ver o Festival da Eurovisão adivinho o F16 já de motor ligado para seguir em direção a Kiev.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Imagino a educadora a instruí-los afincadamente o dia todo para guardarem segredo e não consigo parar de rir.

[NM] E então, filho?! Foi bom o teu dia?

[Baby] Xim...

[NM] O que fizeste?!

[Baby] Não fiz um coá [colar] pa ti. Não. Não fiz!

(...)

O Dia da Mãe está aí a chegar, né?

sábado, 29 de abril de 2017

Frases que já não posso ouvir.

A proferida amiúde pela Pessoa A:

"... Blá blá blá blá.... É que uma pessoa não se pode queixar simultaneamente de A e de não A."

E a da Pessoa dos bolos:

"... Blá blá blá blá... É que uma pessoa não pode querer ter o bolo e comê-lo." 

...

... Mas com o devido distanciamento, e sendo que a Pessoa A se refere à Pessoa dos bolos e vice versa, até que é deveras cómico...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Das tatuagens da nossa prole.*

A propósito de uns comentários ali na Palmier de que só hoje me dei conta, passei o dia a arquitetar um plano para quando um dos meus ricos filhos (aposto as fichas todas no Baby) me vier com a peregrina ideia de querer fazer uma tatuagem.
Resolvi então que no dia em que for confrontada com tal, vou buscar uma folha de papel A4, uma Bic Azul Cristal e peço à cria em questão que descreva tim por tim a tatuagem que faria no dia seguinte se eu a tal acedesse. Tamanho e local. Tudo muito bem explicadinho.
Depois dobramos o papel muito bem dobradinho e guardamo-lo na gaveta das meias. Se passados dois anos, sendo que nunca antes de atingirem os 21 (se nos Estados Unidos não têm direito a comprar  uma cerveja até lá, não há de ser no Portugalinho de brandos costumes que se poderão marcar para vida; e se não estais a ver relação de uma coisa com outra é porque de facto não existe, mas isso agora também não interessa nada)... Mas dizia eu, se passados dois anos (eventualmente três ou quatro, depois logo se vê) ele ainda quiser fazer a mesmíssima tatuagem, pois força nisso. Até vou com ele.

... Claro que este é só o meu plano, ainda não discutido em sede de Assembleia parental.... Claro que há um pai com poder de veto... E ou as coisas mudam muito... Ou claro que a prole vai corrida com um não rotundo finamente delineado a um nem quero voltar a ouvir falar do assunto...


*Tenho sentimentos ambivalentes relativamente ao assunto no sentido em que reconheço que os tatuadores são uns artistas do caracinhas. Até vos digo que um dos meus guilty pleasures do momento é um programa de tatuagens que dá na Sic Radical. Vejo os episódios todos. Todinhos. Mas, e apesar de reconhecer a arte, quantos mais episódios vejo mais certezas tenho que jamais me tatuarei (sendo que, ainda assim, só o faria num local que por norma ande debaixo da roupa porque não gosto de ver). Pois se aqueles, alguns tatuadores experientes e reconhecidos, fazem em praticamente todos os episódios, inenarráveis cacaborradas, nem quero imaginar as obras de arte que sairão dos estúdios de tatuagem espalhados por esse mundo fora. Nope. Não na minha carninha.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O cúmulo da distração.

[Estimado marido, comigo à conversa no quarto, tendo o jantar a seu cargo] Ssssssss.... Esqueci-me do esparregado ao lume...

E sai disparado. Volta em menos de nada.

[NM]  E então?! Queimou?!

[Estimado marido] Não. Tinha-me esquecido de ligar o fogão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Pois é, Be... Já o Jr...


NM: E o que achas deste quadro?


E então, Palmier?! Alinhas? Vendemos isto ao avô? ;)

E lá podia este rapaz deixar de tentar fazer negócio?!

Desta arte... Desta arte é que o Jr. havia de gostar...

domingo, 16 de abril de 2017

Da vacinação, da corresponsabilidade e de como pela boca morre o peixe.

Ainda não há um ano (há pouco mais de meio, aliás), a importância da vacinação foi embandeirada em arco da pior maneira possível.


E não, não foi auto-recriação da imprensa, no sítio da DGS, a 16-09-2016:

OMS reconhece Portugal sem Rubéola e Sarampo


(Vamos esquecer o pormenor de ser explicito um intervalo temporal, não vigente à altura da publicação...) 

Muitas pessoas interpretaram, pois que se o sarampo está erradicado, vacinar os meus filhos para quê?

Agora é um Ai Jesus...




A questão é... As pessoas estão a desleixar, por opção, a vacinação do sarampo exatamente porque... Digo eu que não só, mas também, porque a DGS tem desleixado e tem sido irresponsável na forma de comunicação.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Eu? Usain Bolt no aeroporto de Copenhaga* e Richard Branson aqui mesmo no Porto no Virgin Gran Plaza.

E vós? Quais foram as personalidades assim mesmo famosas com quem coexististes num raio de 5 metros ou assim, hum?!

*Diz-me o meu marido que me engano e que não, que não foi no Copenhaga, mas sim no de Bruxelas, e pois que é bem capaz de ter razão. (Diz-nos a lei dos grandes números lá teria de vir o dia...)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Das mil e uma maneiras de deitar dinheiro à rua...

Fez por estes dias um ano que regressámos de uma viagem de três semanas (três semanas, não três dias, hã) ao Rio de Janeiro. Recebo uma notificação do Google a mostrar-me fotografias de "Há um ano atrás..."

Chamo o Baby para lhas mostrar.

Diz ele muito admirado:

- O quê?! Mas eu  andei de abião?!!! A xéio?!!!!

- Hã?! Mas então já não te lembras, filho?! Vimos as nuvens lá em baixo...

- De abião?! Eu?!! Xim?!

- Sim filho, tu, eu, o papá e o mano...

- Oh! A xéio?!!

- E não te lembras de irmos à praia?

- Ah xim, da paia lembo...

- Lembras, filho?! Da do Brasil?

- O que é o Bajil?

- É um sítio, filho. E tu já estiveste lá.

- Eu?!! Oh!... A xéio???!!!

- Olha, e destes macaquinhos nas árvores, lembras?

- Oh! Macacos??!!! Nas áboís??!! A xéio??!!!

(...)

A sério filho, a sério...


terça-feira, 4 de abril de 2017

Bom, minha gente, vamos lá... Todos juntos! Porque os ignaros, ou lá o que é, também têm direito à vida.

Diz o(a) CAP CRÉUS no post abaixo que o que não falta por esse país fora são museus, super interessantes, gratuitos todos os Domingos (todos hã, não apenas no 1° de cada mês), e o que eu vos propunha é que contribuíssemos todos para elaboração da lista dos imensos museus nessas condições, que isto, já se sabe, temos de ser uns para os outros.



Eu até lhe perguntava diretamente mas diz que ele(a) se enoja "um bocado" (vá lá que não é muito) em ter de lidar com pessoas da minha índole e também não vale a pena sujeitá-lo(a) a isso, que isto cada um é como cada qual e já se sabe que temos todos de nos respeitar nas nossas idiossincrasias.

Vá... Um por todos e todos por um, Yes, we can! e se isto não é serviço público então já não percebo nada!

3, 2, 1... Go!

Eu avanço com o primeiro:

1. ...

(...)

Eeeer... Bom, na verdade não conheço nenhum, mas bom... Toda a gente sabe que eu é mais bolos.

Sim, vamos todos fazer de conta que não sabemos que em 2011 a coligação PSD/PP acabou com tal gratuitidade, para a permitir apenas uma vez por mês, que tal reposição foi aprovada na AR no fim do ano passado, mas que a medida ainda não foi posta em prática... Schiuuu... Não digam nada que isso só mostra que não saem de casa... Sempre em frente à televisão/computador, em vez de irem a museus...

domingo, 2 de abril de 2017

A ideia era aproveitar a borla do primeiro domingo de cada mês e levá-los a ver os Mirós...

Mas depois a fila quase dava volta ao quarteirão. 
Num plano B engendrado à pressa, optámos pela arte de rua e soube-nos a ginjas.







quarta-feira, 29 de março de 2017

Começo a achar que exagerei naquilo de o educar para o sentido crítico...

[Baby] Mãe, vai-me buscá a pastichina...

(Plasticina)

[NM] Ui... E então é assim que se pede?! Não falta aí uma palavra, nem nada?

[Baby] Fáchabôr...

[NM] Ah, bom... Estava a ver...

Mete-se o Jr., todo lampeiro, na conversa.

[Jr.] Claro mãe... "Faz favor" é uma palavra... Ahã!... Se achas que isso é dar boa educação...

(...)

Cansa-me... Este miúdo às vezes cansa-me!



terça-feira, 28 de março de 2017

Só mais uma história sobre os problemas de matemática em aberto e já me calo.

Talvez o problema de matemática em aberto mais conhecido seja a prova da Conjectura de Goldbach.

Christian Goldach (1690-1764) foi um matemático contemporâneo de L. Euler que conjecturou que qualquer número par maior que dois pode ser escrito como a soma de dois números primos,

Tal como 20 = 7 + 13 ou 100 = 89+11 ou 438 = 29 + 409.

Ou seja, apesar de ainda não se ter encontrado um caso onde tal conjectura falhe (o designado "contra-exemplo", indo verificação já no 4*10^8 pela mão do português Tomás Oliveira e Silva: ver http://sweet.ua.pt/tos/goldbach.html), também ainda não se conseguiu a demonstração matemática da sua generalidade.

E agora, a história que vos queria contar.

A este respeito foi publicado um livro: Uncle Petros and Goldbach's Conjecture, que versa sobre um tio Petros que ficou obcecado com o problema, e que a dada altura se convenceu que tinha conseguido a prova matemática. Pela sua mão, a conjectura passaria então a teorema.

Por altura do lançamento do livro, em 2000, as editoras (a Bloomsbury nos EUA e a Faber and Faber no Reino Unido) fizeram um seguro, consultaram matemáticos de Fields e, como manobra publicitária, lançaram um concurso: seria atribuído 1 milhão de dólares a quem, no prazo de dois anos, conseguisse a prova da Conjectura.

Ninguém conseguiu. E o milhão de dólares ficou por entregar.

Mas... O tal concurso tinha um constrangimento muito sério, já que só era admissível a moradores ou nos Estados Unidos ou no Reino Unido. (Provavelmente com medo dos portugueses.)

Os portugueses tiveram no entanto a sua oportunidade por via das Publicações Europa-América que com edição da versão traduzida: O Tio Petros e a Conjectura de Goldbach, também deu a oportunidade aos seus leitores de enriquecer por via de tal demonstração e lançou o mesmo concurso.

Bom... Quer dizer... Claramente com medo do intelecto tuga, as Publicações Europa-América não fizeram o concurso bem bem igual... As diferenças?! O concurso esteve aberto apenas 1 ano, não 2. E o prémio era de 10 000€, não de $1 000 000.
"Melhor jogar pelo seguro. No outro concurso eram elegíveis trezentos e tal milhões de pessoas e ninguém conseguiu, mas com os portugueses nunca se sabe... Quando mete dinheiro então, são do piorio...", terão pensado.

Obviamente que ninguém conseguiu, mas também com um prémio tão fraquinho... Mais vale tentar a sorte a ligar para aqueles números dos programas do Goucha ou assim...

segunda-feira, 27 de março de 2017

Da matemática, da ignorância ruidosa e de como ainda nunca me faltou a paciência para iluminar pobres almas no que a este particular diz respeito.

Eu bem tinha a certeza que já aqui tinha escrito sobre um conceito que me é muito caro (e que me pôs na contingência de ter de lhe arranjar um nome) que é o da ignorância ruidosa, que é aquela ignorância levada a cabo por aqueles ignorantes que, além de espalha brasas, assumem a ignorância alheia. Google, 0.3 segundos e... Tcharan! Ora aqui está o dito

Tendo eu formação académica em matemática, vai na volta surge-me à mesa do café, pela boca de terceiros indignados, a questão dos problemas de matemática em aberto... O mais antigo carece de resposta há mais de 2 500 anos, e todos têm em comum o problema de serem muito, mas mesmo muito, pouco sexy. Terão mesmo sexyness negativa...

O problema mais antigo de matemática tem a ver com números perfeitos, que são números iguais à soma dos seus divisores (excluindo o próprio), como sejam o 6 = 1 + 2 + 3, ou o 28 = 1 + 2 + 4 + 7 +14. A este respeito, Leonhard Euler (1707-1783), por muitos considerado o maior matemático de todos os tempos, provou que um número par é perfeito se e só se tiver a forma 2^(p-1)*(2^p-1), onde p é tal que 2^p-1 é um número primo.

E agora... Assumindo que ainda não desertastes... O problema matemático em aberto mais antigo é.... {rufar de tambores}....

Há algum número perfeito ímpar?



E então, hum?! Extasiados ou quê?...
Pois é... Eu sei, eu percebo... Eu avisei que era um problema tão sexy quanto um homem de Birkenstock e meias das raquetes a coçar o rabo...

Mas é precisamente nesta parte, quando vê referência nalgum jornal ou página web aos tais problemas, que o ignorante ruidoso começa com as suas larachas. Claro que ele até percebe que os matemáticos do planeta não passaram os últimos 2 500 anos a tentar resolver a questão. De qualquer das formas, não percebe que exista algum, um que seja, que ainda gaste uma semana, um dia, uma hora que seja, a tentar resolver o problema. Diz o ignorante que é estúpido, que, pronto, mesmo que se chegue a uma resposta... Ok... E o Mundo ganha o quê com isso? Pronto, provaste que todos os números perfeitos são pares! Pronto... palmadinha nas costas... leva lá a taça... Mas esta gente não terá mais nada que fazer?! Escavar batatas ou assim... Ah-ah-ah! Ri-se sempre muito o ignorante ruidoso...

É nesta parte que eu endireito as costas, chego a cadeira à frente, engulo em seco, bebo um gole de água, pego na mão do ignorante e olhando-o nos olhos... "Vem cá meu filho, que tenho umas coisas para te dizer... Primeiro não é escavar batatas que se diz, meu bem, mas sim cavar batatas... Ca-var... Depois... Bom, depois... Ouve bem o que eu te vou dizer... Chega-te aqui à minha beira, que as minhas palavras iluminar-te-ão a vida e delas darás conhecimento a filhos e netos..."

E depois, muito calmamente, imbuída de um estranho espírito de missão e com uma paciência que me pergunto sempre onde raio a fui desencantar, explico ao ignorante que o que importa não é o resultado, que isso deixou há muito de importar. O que tem de tão importante e de profundamente excitante (qual sexy qual quê...) este e os outros problemas em aberto, é o método que levará à sua resolução. O método para se resolver o problema é que será importante e certamente inovador. Afinal são 2500 anos de matemáticos a tentar... O que importa é o método, não propriamente o resultado. Percebeste, meu doce? O método... Não necessariamente o resultado... E sim. Será necessariamente um grande, grande, resultado. Para todos... Até quiçá para ti, minha pobre alma...

Com a mesma paciência de Jó, o explicou L. Euler no seu Theoremata circa divisores numerorum (1750).


O que é mesmo engraçado nesta história é que neste artigo L. Euler demonstrou verdades matemáticas tão sexy como o problema em aberto que me levou a escrever em post. Igualdades, inferências e constatações a envolver números... Ahã!


Mas, dizia eu e agora muito a sério e esquecendo o tom jocoso do post, o que é mesmo mesmo engraçado, é que é neste artigo, onde L. Euler desabafa e opina, sobre o investimento no conhecimento pelo conhecimento, que estão demonstrados os resultados que estão na base da segurança da encriptação que nos permite fazer as transações online que tanto apreciamos. Acho isto maravilhoso! Em 1750 um matemático encoraja os colegas a não desistirem de demonstrar factos aparentemente sem utilidade porque podem ajudar a desvendar "more useful truths". Em 2017 gerimos a nossa vida sentados no sofá, suportados por aquilo que ele, a seu tempo, quase pediu desculpa por apresentar...






sexta-feira, 24 de março de 2017

Assim num instantinho...

A minha sogra fez anos. Oferecemos-lhe um candeeiro de mesa, de porcelana, mui lindo e phyno - uma classe. O Jr. foi comigo buscá-lo à loja e disse-me que até gostava "dos desenhos" mas que por ele tínhamos comprado um prato, até podia ser daquela coleção, mas um prato. Diz que a casa da avó tem luz que chegue e que o prato sempre servia para comer... Enfim, boys will be boys.  
Furou-se-nos um pneu. A um domingo e longe de casa, não sendo a ridicularia daquele pneu fininho que agora os carros trazem solução para o regresso. Depois de muito investigar lá descobrimos uma oficina aberta, capaz de nos trocar o pneu. Estavam esgotados os 30 km que o pneu fininho nos permitia. Lá chegados disseram-nos que afinal o pneu não estava furado, que talvez fosse só um problema na "bábula", a quem deram um "valente apertão". Regressámos ao Porto, tarde e a más horas. No dia seguinte, na correria matinal e no limiar temporal, dei com o pneu em baixo. Afinal sempre estava furado. Afinal não era problema da "bábula" que, pelo sim pelo não, levara um "valente apertão". Valha-nos ao menos isso.
Assumi sozinha um projecto que, na sua essência não era meu. Ou apenas meu, vá. Vi-me refém de uma plataforma electrónica ineficaz e via única para declaração de interesses. Falhando eu, falhávamos todos e, nesse caso, responsável só haveria uma pois claro. À beira do abismo, dei um murro na mesa que, plim, desbloqueou a situação. Trepidações mágicas, aquém e além fronteiras. Um stress que nem é bom lembrar.
O meu telemóvel faleceu-me nas mãos no dia, ó infortúnio, em que mais precisava dele. O telemóvel que um amigo me emprestou também.
O meu filho mais novo apanhou varicela. Até nem custou muito e hoje já foi para a escola.
O meu telemóvel regressou inesperada e num repente, tal como partiu, numa manhã de nevoeiro e com um ar como se nada se tivesse passado. Grandessíssimo sonso... Qualquer dia parte de vez... Aos bocadinhos e contra uma parede.
Trabalhei ao fim de semana. Resolvi o dobro das coisas em metade do tempo. Percebi que as pessoas confiam em mim. Sem que nunca tenham falado comigo.
Tremi das pernas num bloco operatório e levei uma anestesia geral. Acordei de bem com a vida, o que fez as enfermeiras rir. Dão drogas bem boas no hospital, é o que vos digo. Tive alta um dia antes do previsto.
Acabei um dos melhores policiais que já li: Último Acto em Lisboa, do Robert Wilson. Devia ser de leitura obrigatória em Portugal. Uma parte obscura da nossa história está ali plasmada, numa vivência admirável para um escritor estrangeiro. Por altura da segunda guerra, este país de brandos costumes, do Futebol, Fado e Fátima, jogou nas duas equipas, amealhou e construiu pontes. Gostei muito. Sugestão do meu chefe. Recomendo vivamente.
Pedi sugestões às minhas amigas para um livro mesmo mesmo bom, que eu lesse de um fôlego durante a minha convalescença. Gravei todas as sugestões no coração, vou lê-las assim que puder, mas o empregado da livraria convenceu-me num entusiasmo contagiante a comprar um calhamaço de 700 páginas. Se-te-cen-tas páginas. Disse-me que ia desejar que tivesse 1200 e que ainda havia de ir lá agradecer-lhe. Acenava com ele aos colegas, como quem pergunta "e então?", e os colegas respondiam-lhe ao longe com um aceno de "boa escolha, sim senhor". Foi este: A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert de Joël Dicker. Livros de 700 páginas são uma bosta, uma valente bosta. Deviam ser proibidos. Faz falta no livro esse conselho de Harry Quebert (e olhai que não faltou oportunidade ao longo de se-te-cen-tas páginas). São pesados e desconfortáveis. Fazem dor nos braços e uma pessoa não arranja posição... É muita página... É fisicamente difícil. Principalmente quando se leem em 3 dias. Se tendes mais que fazer não lhe pegueis. Olhai o que vos digo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Hoje fomos fazer uma actividade à escola do Baby...

E queria deixar aqui um recadinho às educadoras e auxiliares das salas dos 2 anos espalhadas por este Portugal fora.

Então é assim:


terça-feira, 7 de março de 2017

Fiquei contente por avisarem que as mangas estavam maduras...

Caso contrário, uma pessoa até podia comprar mangas praticamente podres a pensar que ainda estavam verdes.



Podres. Estavam podres. Peguei numa e foi por um triz que não fiquei com os dedos lá enterrados. 

Mercearia familiar?!
Não. Sucursal do Belmiro mesmo.

quarta-feira, 1 de março de 2017

"Sabes mãe, hoje um menino de 11 anos disse CA-RÁ..."

Eu arregalo muito os olhos, com a cara meio torcida, como quem diz "acabas a palavra e eu nem sei que te faço"...

Continuou o Jr:

"Ui... Já estás com essa cara... Está bem, está... Quando te disser que em vez de um I veio um L, um H e um O, até desmaias!"

(...)

Não desmaiei.
Mas ri-me.

Passo a minha santa vida a dizer isto...

O que é preciso não é quem saiba mais, é quem faça melhor.

Por isso tudo vai de arregaçar as mangas e dar o corpinho ao manifesto ou, então, é dar meia volta e ir pregar para outra freguesia.

Simples, não é?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Por acaso gostei de ver aquilo lá no espetáculo de marionetas que são os Óscares...

Num evento de um micro cosmos onde todos parecem automatas, onde todos representam, onde tudo é programado ao mais ínfimo pormenor... As piadas, os discursos, os aplausos, as poses dos bonecos enfiados nas fatiotas escolhidas por equipas de profissionais... (Giro, giro, era há uns vinte anos... Onde, enfim, era só malta com dinheirama a alindar-se para um festarola, dando largas ao seu sentido de estética...) 

Por isso, gostei. Gostei de me ter apercebido que por trás daquela fantochada toda até há, enfim, gente. E a gente engana-se, claro que se engana. As máquinas é que não.
Até se portaram todos de forma bem digna quando se aperceberam do erro. Ninguém fez birra nem ninguém gritou que quem dá e tira para o inferno gira. 
Gostei de ver, não sei se já disse. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Já fui buscar a carta registada que veio das finanças...

E... Surpresa!... Não era para me informar que fui contemplada com a factura da sorte.

Ora, bolas!

Pronto... Descobriram-nos! Sim, caríssimos, é verdade! Nós lá em casa é assim:


#sovamostodosperdertempo
#mastudobem

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O drama, o horror, a tragédia...

Perdeu-se um olho ao leão.

Oh valha-nos o São Padroeiro dos Desfiles de Carnaval...

E agora?!

Eu bem o tentei convencer que o fixe, fixe, era ir de leão zarolho. Que o leão perdera um olho porque era muito valente e lutara contra um dragão, não, imensos dragões, dragões enooormes e terríveeeis, e, mesmo assim, sozinho, conseguira salvar a savana inteira. Os outros leões, as girafas, as zebras, as hienas... Todos, todos, todos... Salvara todos! Era um leão muito valente aquele. Tão valente, mas tão valente, que lutou com tantos e tão ferozes dragões e só tinha ficado zarolho. 

Mas não... Diz que não. Diz que um leão pirata é que é. Uma história tão linda a do leão zarolho... Enfim...




Tal e qual.


Ontem na caixa do correio tinha um aviso para ir levantar uma carta registada das Finanças...

Estou cá desconfiada que me saiu a factura da sorte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Quando estás exactamente a meio da verdadeira semana de cão...

E não tens ninguém à beira que te passe a mão pela cabecinha e te diga qualquer coisinha que te aqueça o coração. 

"Pronto, pronto... Já vai passar!", digo eu de mim para mim própria.



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Já pensei muitas vezes nisto...

Já me questionei muitas vezes sobre a forma como uma pessoa culta, um estudioso, um erudito, quiçá filósofo ou assim, insultaria.

Por exemplo, ia Immanuel Kant muito sossegadinho lá na sua vida quando passa uma carroça com muita velocidade sobre uma poça de água, molhando-o todo. Ao Immanuel sobem-se-lhe os calores, dão-se-lhe os nervos, e insulta o carroceiro como?

Eis que se não quando surge-se-me um vislumbre... Uma espreitadela por entre os buraquinhos da persiana...


"Cafre", hã! "Cafre"! 

É um insulto muito bom... Vou levar para a vida. 

É que uma pessoa insulta, desopila os fígados e o mais certo é a outra parte não perceber e assim não se corre o risco de receber um pêro na mona como troco. Gosto muito.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mais depressa se apanha um mentiroso...

Desde Sexta, dia em que o Jr. adoeceu, e até ontem o Baby dizia que, enfim, também queria estar doente. (Se o irmão tem, o Baby quer, e é isto a minha vida.) Por acaso os desígnios divinos fizeram-lhe a vontade e agora que de facto adoeceu, claro, que já não o quer assim tanto, mas adiante...

Sábado, ainda fresco como uma alface, dizia-me o Baby a apontar enfadado para um restinho de comida no prato:

- Não quéo comé maix...

- Não queres comer mais?! Porquê?

- Puque não...

- Dói-te a barriga?

- Não... Dói a gaganta...

- Dói-te a garganta??!!... Mas dói muito ou pouco?

- Muito!

- Hum... Mas olha... Onde é que fica a garganta?

- Não xei...

(...)

Tramadas... Estas dores vindas de sítios que não se sabe onde ficam devem ser tramadas...

Trigo limpo, farinha Amparo.

Hoje o mais velho foi para a escola convalescente de uma gastroenterite.

Hoje o mais novo não foi para a escola porque apanhou uma gastroenterite.

Pão com bife.

O Jr. apanhou uma gastroenterite má. Muito má mesmo. Tão má como eu nunca tinha visto.

O Jr. que já era magrinho perdeu muito peso. Nota-se-lhe a anca. Com ele de costas. 

Esteve três dias sem comer, quatro sem segurar nada no estômago e a horas de ficar internado.

Ontem perguntei-lhe o que queria lanchar. Pediu pão. Com bife. 

A seguir jantou arroz. E bife.

Antes de se ir deitar quis comer pão. Com bife.

Hoje quis  ir à escola. 
Foi. 
Triste porque não havia pão com bife para o pequeno almoço.

Bifes. O corpo pede-lhe bifes.

O meu pede-me tempo. 

Mais fácil arranjar bifes.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

NM refere-se a si própria na terceira pessoa e pede desculpa por isso. (Deve ser dos nervos.)

NM abandona o seu posto de trabalho a meio do dia para ir buscar o seu filho mais velho à escola, em consequência de este ter vomitado.
NM, já em companhia de seu mui abatido filho, estranha a porta de seu pequeno prédio estar só no trinco, e não fechada à chave tal como combinado com os vizinhos, mas não valoriza. NM fecha a porta do prédio à chave.
NM entra em casa e cumprimenta D. Albertina, sua empregada. Filho de NM pega no seu tablet e voa para o sofá.
Em menos de cinco minutos batem à porta. NM espreita e vê um estranho que lhe explica que estava a fazer um biscate no 1º andar e que agora se queria ir embora mas que não conseguia sair porque a porta do prédio estava fechada à chave, se alguém lha podia ir abrir. D. Albertina oferece-se para tal. Dois minutos depois aparece D. Albertina esbaforida, que tinham estragado a porta de entrada, que não abria. Estranho colado a ela. NM olhou estranho nos olhos e percebeu que este estava psicotropicado, se é que a palavra existe. Irrefletidamente e para manter o estranho longe do ninho, NM sai, fecha a porta de casa, leva a mão ao bolso a confirmar que leva telemóvel e pede ao criador que seu filho esteja mesmo absorto lá no seu jogo e que se deixe ficar sossegado dentro de casa, sem se aperceber que estava sozinho.
NM junto à porta da rua, com fechadura estropiada, toma consciência que está barricada dentro de seu prédio, com estranho psicotropicado, com empregada que não parava de o confrontar com as suas incongruências e com um filho de seis anos doente quatro andares acima. NM lembra-se que não estava nenhum carro na garagem e que, provavelmente, não estaria mais ninguém no prédio. NM voa escadas acima a bater a todas as (quatro) portas e confirma que não, de facto não está mais ninguém no prédio.
NM mantem a calma. NM mantem o estranho calmo e faz sinal à D. Albertina para se manter calma, sem confrontar nem fazer perguntas. 
NM lembra-se que existe um martelo quebra vidros ao lado das caixas de correio, para ser usado em situações SOS tal como aquela estava a ser. NM tem medo de não conseguir partir o vidro, de magoar alguém ou de o estranho passar a usar o tal martelo como arma. NM pensa enquanto vai dando palpites soltos de como a D. Albertina e o estranho hão de conseguir abrir a porta. Façam força aqui, façam força ali, agora para cima... "Talvez ligar aos bombeiros... Mas se vêm os bombeiros vem polícia..." NM fala em polícia para ver a reação do estranho. Estranho não reage. Enquanto estão entretidos aos safanões à porta NM esgueira-se uns degraus e liga ao 112. NM pensa no filho e pede ao criador que ele não lhe apareça ali naquele momento.
Chega a polícia. Estranho olha esgazeado para NM e D. Albertina, mas nada diz. Continua a tentar abrir a porta. NM passa a chave a um polícia pela abertura da ventilação. Faz sinal a outro a pedir contacto por telefone. Polícia mostra número a NM. NM sobe uns degraus e explica em tom baixo a situação. O segundo polícia sempre a falar com o estranho, para puxar a porta, para empurrar, agora não, agora para cima... Suponho que, pouco mais estivesse a fazer que a mantê-lo ocupado. Polícia acalmou NM, que nada de mal aconteceria agora que eles estavam ali. NM disse que não sabia se o estranho estava armado, que não estava mais ninguém no prédio e que estava uma criança sozinha num determinado andar. O que quer que acontecesse era preciso ir saber logo da criança. NM estava aparentemente calma mas tinha a clara sensação que a situação se podia descontrolar a qualquer momento e por um qualquer clique.

Polícia não conseguiu abrir a porta. Os bombeiros sim.

NM fraquejou das pernas quando viu a porta aberta, e mal o estranho foi manietado NM voou escadas acima a saber de seu filho. Filho de NM dormia (?) profundamente no sofá. Tablet caído no meio do chão. E esta, hein? NM desceu e abraçou D. Albertina, mais conhecida por nem-nem-nem (nem ouve, nem cheira, nem limpa), e recordou porque a mantinha vai para 10 anos. D. Albertina não abandonou NM por um segundo, conseguiu controlar os nervos, conversou e distraiu o estranho enquanto me ausentei para ver se havia mais gente no prédio e para ligar à polícia. D. Albertina é uma mulher com os tomates no sítio. D. Albertina tinha sido, na verdade, mulher para arrumar o estranho com dois pares de lambadas bem assentes. Acho que aquilo das "mulheres do Norte" se deve a mulheres como ela.

O estranho não estava armado nem nenhuma casa tinha sinais de arrombamento. Mas estranho foi levado preso porque tinha um mandado de captura pendente.

Já a situação estava perfeitamente controlada e NM tremia ao falar com os bombeiros. NM tremia ao falar com a polícia.

NM ainda treme agora, passadas 24 horas, ao pensar no que podia ter corrido mal.