quarta-feira, 19 de julho de 2017

Nem sei o que me causa mais espécie...

- Se pessoas inteligentes e vividas serem escravas do trabalho, mesmo não se sentindo particularmente felizes no exercício de;

- Se pessoas inteligentes e vividas se aborrerecerem com merdinhas sem jeito nenhum.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Luna is overrated.

O pediatra fez-nos o ultimato da chupeta. Verdade verdadinha que o Baby já praticamente só a usa para dormir mas sempre que está em casa e lhe bota os olhinhos... Zau!! "Pépé" na boca! É aquele saboroso pecado, de quem bem demais sabe que não devia.

Na última ida ao pediatra ele bem ouviu o ralhete, que já não tinha jeito nenhum, que já era um homem e que estava a ficar com os dentes tortos, que tinha de largar aquilo.

Ora, a chupeta que ele tem já é única e é das primeiras que teve (que entretanto com o uso foi crescendo e crescendo e crescendo)... É portanto insubstituível. A outra que tinha rasgou-se (tanto cresceu...), pelo que estamos por dias de resolver a questão por falta de utensílio.

Mas bom... Como estava eu a contar, o Baby bem sabe que a chupeta é proíbida, que só mesmo para adormecer... E, e... Já nem para isso devia ser.

Estávamos nós em casa a curtir um domingo de ronha, quando o vejo entrar no quarto... Ele, de costas para a porta, olha para cima da cama, vê o kit de segurança: chupeta + fralda, julga-se sozinho e... Zau! Chupeta a caminho da boca.

Eu, qual Lucky Luke, faço-lhe um sonoro: A-hã!!, as in "é que nem penses", que o atinge pelas costas...

Ele olha para trás e com a chupeta na mão, encostada à boquinha ainda aberta, diz:

- Eu ia fajê axim...

E começa a massajar os cantos da boca com a chupeta. Eu atónita a olhar para ele sem saber muito bem se desatava às gargalhada ou aos berros, e ele lá seguia com energéticos movimentos circulares... Já na bochecha...

- Bês... axim... Óia!!!

Sempre com precisos movimentos circulares já levava a chupeta na testa:

- axim...  ia fajê axim... E é pexiso fajé na caínha toda... 

Eu olho para ele, com os olhos muito arregalados, a apertar os lábios o mais que conseguia... Por favor criador, não permitais que me desmanche aqui em gargalhadas. Eu não posso. Eu tenho que educar. E ele não pode. Fazei com que eu tenha forças...

Nisto ele olha para mim, pára com a "massagem", e no pináculo da mais pura da sonsice - SON-SI-CE! pura e dura, pergunta a fazer-se de muito sério:

- Puque tás a olhá axim pa mim?! Também faiz mau aos dentinhos fajê axim com a chupeta, faiz?! 

(...)

É tão, mas tão, difícil educar este meu filho...


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cake Design - Urgências; Alguém conhece?

Vai que amanhã primogénito faz anos!!

Vai que aqui mamãe decidiu dar por finda a sua senda no que ao consumo de cake design diz respeito.

Pronto, finito es! Já dei para esse peditório, pois que já dei. É muito giro, muito fofinho à vista, muito criativo, muito tudo, mas, enfim, passo! Para crianças de boca azul, que permanece azul passado um par de horas, já bem bastou o bolo do último aniversário do Baby.

Vai então que, imbuída no raciocínio supra, resolveu aqui mamãe fazer o bolo da festa.

Mas vai que rico filho de mamãe teve, à última da hora, uma ideia geek mais geek amorosa-mais-amorosa-não-há para a decoração.

E vai que... Sem problema meu bem que aqui mamãe resolve.



Vai que agora mamãe está com muita vergonha do que amanhã tem para apresentar aos convidados...

Com açúcar em pó é que tinha sido, não era?
Tinha recortado os números em papel e a conta ficava em negativo, não era?... Era pois.
Ora, bolas!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

"Estou sim?! Olá, viva, é a mãe do Jr., é só para saber se está tudo bem e se posso falar com ele..."

- "Ah sim, sim... (...) Já lho passo..."

- "Obrigada!"

(...)

- "Sim, mãe?!"

- "Olá, meu amor! Então?! Tudo bem? Estás a gostar?"

- "Estou. Muito."

- "Que estavas a fazer?!"

- "Estávamos a ir tomar um cafezinho..."

????!!!!!

Juro que quando o entreguei de manhã ele tinha 6 anos. Seis! Espero bem que não mo devolvam com 22.

Que seria de mim sem o apoio das minhas amigas!!...

O Jr., o meu bebé, quis ir acampar com o Campo de Férias. Eu disponível a ir levá-lo e buscá-lo todos os dias, para vir dormir ao conforto de seu lar, junto de sua querida mãe, e o pequeno cara de catano a dizer que não. Que queria ir e ficar lá dormir, que lhe desse mazé dinheiro para gelados e ficasse sossegada.
Vou falar com as professoras para as pôr a par de tão peregrina ideia do caçula do grupo e vai que elas me dizem que sim, que ele devia ir, what?!! , que tem mais que autonomia, que lhe ia fazer bem.

Pronto, lá foi.
Com 6€ no bolso para desbaratar à vontade.

E agora eu estava para aqui...
A pensar no que estaria ele a fazer, se se estaria divertir, enfim essas coisas...

O título?! Ah, isso...

Há pouco fui ao watsapp e comentei com uma amiga o que se estava a passar. Que o Jr. tinha ido acampar, que ia passar duas noites fora de casa a dormir com os costados no chão e que eu estava com o coração um bocadinho nada apertado.

Ela?!
Ela, qual poço de sensibilidade, responde-me com isto:


Eu mereço!





terça-feira, 11 de julho de 2017

De como eu também quero contar uma história de conversas em linhas paralelas, que por acaso é só uma das maiores vergonhas da minha vida, ou de como dou um rim por uma corrente.

Pois é, minha Palmier... Cá vamos... Sempre de olho aberto à bela da corrente, né?

Eu sei, eu sei que tu me percebes... :)

Ora então, foi assim que aconteceu:

Decorria o ano de dois mil e picos e era esta que vos escreve uma professora estagiária numa qualquer escola do concelho do Porto (e a esta altura a minha amiga I*, que já adivinha o que aí vem, já chora a rir). Pois que éramos quatro estagiárias e tudo corria bem. Dávamo-nos todas bem, a orientadora era uma porreira, planificávamos aulas à beira mar, pedíamos cinco cafés diferentes (curto, chávena fria, três quartos, normal e italiana, acho que era isto) e riamo-nos como umas perdidas sempre que podíamos.

Tudo muito certo, até que num dia de novembro, conta-nos a nossa orientadora, entre risos, que uma auxiliar lhe tinha dito que o grupo de estagiárias desse ano era bem simpático, tirando uma, euzinha!, que era um bocado para o nariz empinado.

Ora... Eu sou tudo menos uma nariz empinado - quer dizer, agora às vezes até sou que há malta que não percebe de outra forma que estar à vontade não é estar à vontadinha, mas à data dos factos não era de todo o caso. Também à data dos factos era eu mais permeável à opinião alheia, sendo que agora sou uma fervorosa adepta do estoumecagandismo; faço o melhor que posso, respeito toda a gente, mas quem não gosta que ponha na borda do prato que eu também não perco um minuto a pensar no assunto.

Pois muito bem, estando eu na sala de fumadores, e recém detentora da informação de alguém me achar a ovelha ronhosa do grupo, levanto-me e dirijo-me à sala dos professores “normal” para ir buscar um café. Estávamos em horário letivo, pelo que tal sala estava praticamente vazia. 

Naquele momento contava animadamente a auxiliar que trabalhava no bar a uma professora "da casa" (i.e. efectiva) que, infelizmente, tinha tido de tirar o "aparelho".

“Ah e tal, tive de tirar o aparelho...”, foi isto que aqui a nariz empinado (infâmia!!!) ouviu.

Ora, eu usei aparelho nos dentes durante dois anos e tinha tirado o dito em julho desse ano.

Para não me acusarem de antipatia, Deus nos livre, longe vá a infâmia, e perante os sorrisos que me receberam resolvi meter-me na conversa, fixando o olhar nos dentes da senhora...

[NM] Mas ó D. Alcina, e a Sra. precisa de aparelho?

[D. Alcina]  Ó menina, então não havia de precisar? Mas a menina faz-me assim tão velha.

[NM, de olhar fixo na dentura da senhora] Não é isso... Mas não me parece que precise, só isso...

(Por acaso nesta altura reparei num estranho silêncio, quiçá indiciador que me devia calar mas bom... “Nariz empinado” é que não...)

[NM] Mas e então?! Teve que tirar o aparelho, foi? Doía-lhe muito?

[D. Alcina]  Não. Doer não doía, mas sangrava muito...

[NM] Ah... Eu também usei, sabe? E no início também me acontecia muito... Falta de fruta, sabe?

(Verdade, verdadinha... No início, aquilo faz muita força nas gengivas e, por falta de vitamina, por falta de fruta, dizia-me o médico, eu sangrava das gengivas. Mas depois comecei a comer muita fruta, frutinha da boa, fiquei com as gengivas fortes e nunca mais sangrei.)

Ainda me ecoava na cabeça o meu diagnóstico de falta de fruta, quando reparo que a professora que desde início falava com a D. Alcina arregala os olhos enquanto dava uma dentada na sua sandes de queijo.

Nisto só ouço...

[D. Alcina] Não faz mal... Continuo a tomar a pílula que também não morre ninguém!!!!

(...)

Pois é...

Eu falava no aparelho dos dentes e no sangramento das gengivas derivado da falta de fruta e a D. Alcina falava no... DIU!!!!

No DIU e no sangramento pelo pipi...

Eu?! O pior desta história é que eu fiquei tão aflita, mas tão aflita, que não consegui dizer nada... Virei costas e fui-me embora. Na minha cabeça um único e exclusivo pensamento: "Falta de fruta, NM??"  

Diz que entrei na sala de fumo branca como a cal.

- O que é que foi??!!, perguntaram-me as minhas colegas.

- Nem queirais saber o que aconteceu..., disse eu.

(...)

As minhas amigas riram-se tanto, tanto, tanto... Pus as quatro a chorar com o riso. Bingo!

Eu?! Eu fui para casa. Super envergonhada, claro.

(...)

Como é que eu sei que era novembro?!

Porque nessa noite foi o magusto da Escola... Porque mal pus um pé dentro do pavilhão, já cheio de professores, só ouvi um “Olha quem chegou...” e uma explosão de gargalhadas.

E foi isto.

domingo, 9 de julho de 2017

Aze(re)da!

Sempre me achei detentora de um optimismo à prova de bala, mas por estes dias...

Ando com a vida virada do avesso, é verdade (não a familiar, graças a todos os santinhos, mas as outras, em que não há dia em que não haja novidades e em que não tenha de me realinhar - umas vezes mais em linha que outras, mas bom...).
Ando cansada, com falta de paciência e de filtro. Talvez seja por isso...

Mas o incêndio; as baratas tontas e o sistema que só funciona quando não é preciso e que teve o amén de todos os governos desde Durão Barroso. Sempre a saber-se que não, que não funcionava! O foi "feito tudo aquilo que se podia ter feito"; os suicídios, quais armas de arremesso político, que, ó infortúnio, afinal não o foram; o assalto de Tancos que é só o 18º (décimo oitavo!!!) assalto do género. As forças (des)armadas;  o ministro da defesa que fala do ocorrido como se tivesse desaparecido material de jardinagem;  o PM de férias e o "Eu é que sou o Presidente da Junta" do MNE. A Cristas aos pulinhos a exigir a demissão de ministros como se isso resolvesse porra alguma. Tudo aos pulos. Tudo aos gritinhos. Tudo numa figurinha de dar dó.  O líder parlamentar do PCP numa manifestação pró Maduro. O exame de Português que não vai ser repetido porque não, porque causaria muito transtorno. (E se tivesse sido no de Biologia que, por sinal, é a específica para Medicina? Acaso a atitude teria sido a mesma? Não. Obviamente que não.) As cativações que não foram feitas em nada de importante, diz o CR das finanças. Em nadíssima de importante. O criador nos livre que nós não andamos aqui a brincar.

"Pá... Emigra! Se estás tão mal emigra."

"E então no incêndio de Londres, quantos morreram?"

"Pá, mas achas que os da direita faziam melhor?"

"Oh pá, querem lá os terroristas saber de nós... Se não arranjassem armas aqui, iam arranjá-las a outro sítio qualquer. Até te digo mais... Ainda bem que não houve rondas, senão tinha havido mortos. Mas não te aflijas que os terroristas não querem saber de nós."

"E então? Estás triste? Anima-te! Viste aquilo da gafe na ementa do casamento do teu presidente? Jasus, que cromos!"

"Emigra!! Sabes quanto ganhavas lá fora?"


"E o Salvador Sobral? tss, tss, ..."



"Mas tu achas que nos outros países não é assim? Olha, os da Venezuela estão bem pior..."

"Soubesses tu como era antes do 25 de abril e andavas aos pulos de felicidade..."



Como? Como é que se sai desta mediocridade?

(...)

(...)

Às vezes dou por mim a pensar que quem me dera conseguir alinhar no: 

Q'sa f@da... Deixa arder, que o meu pai é bombeiro!

(...)

Mas não. Não consigo.

Adenda: Foram demitidos três secretários de Estado. Um ano depois da polémica lá de umas viagens ao Euro. Um ano depois. Diz que eles andavam a pedir muito para sair, e claro que ninguém pode manter ninguém contra vontade em cargos tão importantes. ... "Pá"...  Isto não pode ser o atirar de ossos mal roídos à oposição, pois não? Pois claro que não... "Pá," desisto!

É bom para ir aos figos, é sim senhora.


Por outro lado, para ir aos morangos...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Errado!


4 iogurtes = 0,85€; Leve 8, pague 7 = 1,65€

Ou o pack de quatro custa 0,94€.
Ou o pack de oito custa 1,49€.
Ou a embalagem diz LEVE 8 PAGUE 7,76.

Assim como está é só uma aldrabice.

* É uma ninharia, pois claro que é. É o princípio subjacente (ou a falta de) que me tira do sério.

domingo, 2 de julho de 2017

"Pássito à pássito, suábe, suábessito..."

Já no início da semana o Jr. me havia dito que tinha ganho um concurso de dança, ao som do "pássito-pássito" (?)... Não liguei. Quer dizer, ligar liguei, ainda parei dois segundos a pensar que raio seria aquilo do "pássito-pássito" mas dando andamento à minha caótica vida... Enfim... Siga para bingo, que nada há de ser nada e agora não tenho vagar. 

Acabei de encontrar o repetidor de internet que tanta falta me tem feito desde há duas semanas, e em busca do qual já revirei a casa toda, no fundo da mochila da piscina do miúdo. Tudo bem... Siga!

Mas dizia eu, hoje a criança estava a brincar muito sossegada e lá cantarolava o "Pássito à pássito, suábe, suábessito" que lhe ouvi a semana inteira. Até o pequenito já acompanhava... 
Não foi tarde nem cedo... 
Zau! 
Fui pesquisar. 

Maldita, mal-di-ta, a hora.
Mil vezes viver na ignorância que eu não tenho arcaboiço para isto.



Acredito que já toda a gente tenha ouvido esta trampa... Acredito muito bem que sim.

Mas eu cá, alienada social confessa, não conhecia e estou chocada. 
Sete anos da minha vida a investir na cultura musical da criança e ela nos momentos de descontração canta-me o "Pássito à pássito, suábe, suábessito..."??? Uma criança que com três anos trauteava Johnny Cash... "because you're mine I walk the line"...  E via em repeat concertos dos Pearl Jam? E agora... "Pássito à pássito, suábe, suábessito..."???

Ai.... 
Ai que não me estou a sentir nada bem...

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Filmagens à socapa e ensinamentos de irmão mais velho.


*Ali na segunda vez, eu punha a mão no lume em como o meu lindo menino, riqueza de sua mãe, volta a dizer "filhos da fruta". Estimado marido diz que me queimava.


Em terra de cegos...

E depois o Pedro, no seu sotaque mais queque, de beto mais queque da Foz mais queque, acenava freneticamente com os trejeitos mais queques, sob o pólo mais queque, um papelote que dizia ser o parecer de um perito que, ui sabeis lá, o perito dos peritos, o melhor do burgo.

Porque ele tinha razão e se dúvidas disso houvesse estava ali o parecer do tal perito. Um perito que... oh... de trás da orelha. 
Diz que. 
Só que não.

Ela?! Ela entrou em modo tenemos muitos nabos a cozer nua panela...



E o Pedro lá continuava, dando lustro aos créditos do tal perito, que ui e vós sabeis lá...

E em modo tenemos muitos nabos a cozer nua panela... Ela batia imaginariamente o pé ao som de:

Bai Pedro bai, al lhugar de la justicia
Di-le a tou amo cumo you te digo a ti

La-la-la...

Pedro, que te falta? Repica la tu gaita
Tenes l pan na tulha l bino na bodega
Tenes la melhor moça que habie nesta tierra
Ciega dun uolho i manca dua perna

Outra vez.

Tenes la melhor moça que habie nesta tierra
Ciega dun uolho i manca dua perna

Depois ela sempre lhe disse, recorrendo às suas melhores competências diplomáticas, que era melhor o Pedro refrear os ânimos. Que às vezes... Enfim... Ainda que seja o melhor perito do burgo, não deixa de ser Ciego dun uolho i manco dua perna...


O Pedro não gostou. Oh!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Brincando ao Dr. Salgado...

Levantei-me pela fresca, vim a Madrid falar do que não sei e já estou a fazer horas no aeroporto para ir jantar a casa.

Tem sido um dia muito simpático. Quem me dera poder fazer isto mais vezes...
Só não entendo a súbita vontade que me está a assistir nem sei se de cortar os pulsos, se de dar repetidamente com a cabeca contra uma parede. Mas de resto tudo bem.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ensaio.

O meu Jr., quase sete anos de gente, foi à festa de fim de ano do ATL.

À noite.

Parece que provou Coca-Cola.

Parece que gostou.

Eram as onze da noite e dizia-me ele, chegado da festa, que estava mal disposto, que achava que ia vomitar... Que não voltava a beber Coca-Cola.

Eu?! Eu já não sabia se havia de rir, se havia de chorar.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Afinal... Quanto maiores os testículos, maiores os cornos.

Post da série: "Títulos do caralhão" inusitadamente iniciada pela querida Susana Rodrigues.

Para finalizar o tema dos incêndios gostava só de lembrar que quando arde floresta, não são só as árvores que se vão. Tudo quanto é bicho se fina, igualmente.

No distrito de Bragança, por exemplo, reside a maior população de cervos do país, também há lobos, corços, cabras-montês, raposas, javalis, gatos bravos, "ratos-do-lameiro" (desconhecidos no resto do país), coelhos bravos, lebres, ouriços cacheiros, raposas e esquilos, águias, corujas, falcões, mochos e cegonhas, cobras, licranços e víboras cornudas.

Há. Ainda há. Mas toda esta riqueza depende exclusivamente da floresta. Com os incêndios também ela arde. Também ela se perde.

Não são só as árvores que se vão. Estes também.

Pronto. Era só mesmo isto.

(...)

Agora para desanuviar o ambiente e fechar aqui o blogo-capítulo incêndios que muito me tem desgastado explico-vos o título.

O veado vermelho é o maior mamífero da Península Ibérica e os machos possuem um grande par de hastes. Sim, "hastes" (caem e voltam a crescer a cada ano); não "cornos" (que não caem) como escrevi no título... Mas bom, lá conseguiria eu resistir a título tão do... Enfim, coiso.

O tamanho das hastes está relacionado com a idade do animal, pelo que a cada ano estes desenvolvem hastes maiores (que perdem depois da reprodução, começando a nascer novamente passadas quatro ou cinco semanas).
É de facto impressionante como é que se desenvolvem estruturas daquelas apenas num ano.
E o que aquilo pesa, senhores?!

Mas...

O tamanho das hastes também está diretamente relacionado com o tamanho dos testículos do animal (quantidade de testosterona produzida).

Sendo que, machos só com um testículo (muito raros) só têm uma haste. Geralmente pequena.

Sendo, igualmente, que estes machos só com um testículo costumam ser fatais quando lutam com os pares por altura da época de acasalamento* porque em vez de "encaixarem" o par de hastes no do vizinho, simplesmente espetam a pequena haste que têm mandando o vizinho bi testicular para o céu dos machos alfa wannabe.

Pronto. Era só.

Dizei lá que não aprendeis coisas interessantes comigo, hum?! 



*Entre Setembro e Novembro. Podeis ir ver e contribuir para o desenvolvimento regional. É a única época do ano em que os machos socializam com as fêmeas. Os machos bramem muito alto e andam todos (machos e fêmeas) mais ativos a cirandar pelo monte. É a melhor época para os observar. Pesquisai brama do veado no Parque Natural de Montesinho e fazei-vos à vida. Não deiteis beatas pelas janelas do automóvel se fizerdes o favor.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nunca, NUNCA, ninguém quis saber…

Ontem ao ler este post da flor percebi que ia ter que voltar a pôr o dedo na ferida. 
Por muito que me custe. Não ficaria bem comigo se não o fizesse.

Também eu carrego muita raiva e, como lá disse, não é de agora em virtude destas almas que se foram. Também eu nasci e cresci no interior rural e desde que tenho consciência de mim que me lembro do cheiro a terra queimada, de ver in loco gente a chorar, desesperada. Uns anos tocava a uns, uns anos tocava a outros. Solidariedade de uns anos para os outros. Agora ajudas-me tu, para o ano ajudo-te eu. Morria sempre gente, o sicrano ou o beltrano, do sítio de além ou do de aquém, que munido de giestas foi abafar o fogo. Que os bombeiros haviam chegado tarde. E se não tivessem sido os homens das giestas então é que haveria de ter sido bonito. 

Todos. Todos. Todos os anos. Qual desgraça anunciada. Sempre o mesmo filme. Sempre. No telejornal eram certas como a morte a reportagem sobre os incêndios e a reportagem das filas de trânsito na Nacional Azul a caminho do Algarve. Certo como a noite que chega depois do dia. Assim continua. Tirando a parte da nacional. As nacionais que agora só estão lá como alternativa, como via de fuga. Ou não.

Fatal como o destino. Os verões da minha infância/juventude cheiraram invariavelmente a terra queimada. Mais perto ou mais longe. Mas o cheiro chegava sempre. Durante vários dias respirava cinzas. Triste fado! 

NUNCA, repito NUNCA, ninguém quis saber… 

Não é de agora, nem deste governo nem do anterior, nem do passado. Nunca ninguém quis saber. Nunca ninguém fez nada com pés e cabeça, com futuro, com estrutura.

Décadas depois tudo igual. Sempre os mesmos desgraçado, desgarrados, a sofrer na pele. Portugueses de segunda, praticamente tribais.

Nunca ninguém quis saber e assim continuará… 

Porquê?!

Porque planear algo neste foro custa dinheiro, muito dinheiro, e levará tempo, não muito mas ainda assim tempo, a dar frutos. Não compensa. Na nossa cultura política imediatista, populista, tachista e oportunista, não compensa investir. Mais vale ter fé na Nossa Senhora e esperar que os hectares ardidos não sejam mais que os do governo anterior. Isso basta para se celebrar.

Porque a nossa floresta não é economicamente rentável e porque quem sofre as consequências são meia dúzia de gatos pingados sem expressão eleitoral. E toda a falta de estrutura, gestão e organização se baseia simplesmente nisto. É dinheiro sem retorno.

Porque é utópica a questão de obrigar os privados a limpar os terrenos. Os “privados” de que falamos são os pobres, os tais difíceis de salvar como disse o nosso PR. Os terrenos de que falamos são terrenos agora sem valor económico, terrenos não registados, terrenos que foram herdados ou comprados a vizinhos com o dinheiro da venda dos vitelos numa altura em que ainda se tinha força para fazer alguma coisa e antes dos filhos emigrarem para a França. Não são do Estado, pois não, mas também não se sabe de quem são. São terrenos de ninguém.  São delimitados por pedras e árvores e quando muito haverá um papel escrito à mão a confirmar a transação. São micro parcelas de terreno de 400 m2. Já nem sequer existem caminhos para se chegar aos do monte. Só a pé com uma catana a desbravar caminho por entre os terrenos vizinhos, qual Rambo. 
A sério? Como se faz? Como se pode obrigar?... Não obriga. Assume o Estado a limpeza, e é se quer. Por outro lado, quem os registou, tem ali nada mais nada menos que um fardo e um mundo de preocupações. Tomaram muitos privados, donos de terrenos, ser nesta altura expropriados.  (Outra coisa, será a gestão da floresta feita pelas concessionárias das estradas, por exemplo… Não é disso que falo.)

Porque o pôr militares, reclusos, beneficiários do subsídio de desemprego ou de outros a limpar a mata não funciona. Simplesmente não funciona. É tentado há mais de dez anos, com despachos em Diário da República e tudo, como manda a sapatilha, mas… Na prática não funcionou. Porquê não sei, mas não funcionou.

Porque a reflorestação se faz à base de pinheiros e eucaliptos (estes, originários da vizinha Austrália, que já representam um quarto da floresta nacional). Porque os carvalhos ou sobreiros demoram muito tempo a crescer (é preciso esperar 25 anos até se conseguir tirar cortiça de um sobreiro) e porque, já se sabe, montes pelados ainda que nos entretantos são muito pouco sexy. Era preciso haver uma concertação praticamente intergeracional entre os diversos governos. Não vai acontecer. Porque o eucalipto ainda que sendo inflamável dificilmente morre num fogo. Diziam-me os velhos, quando fizeram da Serra Marão um enorme eucaliptal, algures nos inícios dos 90s, que eram árvores demoníacas aquelas. Que a cada fogo por que passavam, recuperavam cada vez mais rápido e mais fortes. Parecia que gostavam de fogo, as diabas. Refloresta-se com eucalipto porque é mais fácil. Pronto. E até cheiram bem e tudo.  E são verdes. Pronto, está resolvido. Secam tudo o que há à volta, mas isso não interessa. Ninguém sabe, ninguém quer saber, o que importa é haver sombra para aquele piquenique pitoresco que uma vez no ano decidimos fazer para proporcionar às nossas crianças o contacto com a natureza. Cá agora questiúnculas de árvores. É tudo verde, carai. Tudo igual. (Nesta altura dos post já nem sei se ria se chore...)


Porque há três estruturas com responsabilidades na defesa da floresta e gestão de incêndios. Não uma: Três! O Instituto de Conservação da Natureza (Ministério de Agricultura), a GNR e a Proteção Civil (ambos do Ministério da Administração Interna). Ora, pois que já devíamos ter a capacidade analítica de perceber que estas co-responsabilidades entre instituições nunca funcionam, apesar de, lá está, na teoria serem muito lindas. Não funcionam porque cada instituição é uma capela, cada capela acha-se mais importante que a outra, cada capela tem os seus directores e presidentes, cada qual com o seu umbigo. Quando corre bem, dão os três pulos de alegria, com as conversas dentro de cada capela a ir ao encontro do “Se não fossemos nós…”. Cada uma das três… “Ai se não fossemos nós…”. Quando dá para o torto, cada uma das três sacode a água do capote o mais ferozmente que consegue. “Não, desculpa, isto é da responsabilidade deles…” Não dá. Não funciona. Não há abnegação nem maturidade para tal. Muito lindo no papel, mas não dá.

Porque… E como já referi anteriormente num post sobre o Vara e a CGD não se podem pôr bons… sei lá, amigos, digamos assim, aos comandos de um Boeing só porque estes têm carta de ligeiros. Não dá. Vai dar merda. Eu conheço gente muito capaz em muita coisa. O meu marido, por exemplo, é muito capaz lá nos algoritmos dele. Eu também lhe tenho estima e é muito boa pessoa. E também percebe de números e é um curioso da biologia. Mas nunca, em consciência e responsabilidade, o indicaria para gerir, sei lá, o hospital de São João. Só poderia dar merda, não é?! Pois é… (Mas o meu marido é uma pessoa muito capaz, que disso não restam dúvidas.) E temos um secretário de Estado que é um porreiro, grande amigo de Costa, e de Vara já agora, e temos uma ministra que, pronto, alguém com ligações partidárias me disse que andou com ela ao colo. Pronto, vá. Por si só isso não lhe tira mérito é verdade, todos andámos ao colo de alguém. Mas essa ministra recusa ajuda, pronta à espera na fronteira. Com o argumento de que muita gente atrapalha… É perigoso. Pois é. Verdade. Gente impreparada, munida de giestas a tentar abafar o fogo ao pé de bombeiros são mais uma fonte de preocupação que uma ajuda. Concordamos todos, senhora ministra. Não somos estúpidos. Agora... Ter gente formada e preparada a pedir para ajudar, e o pobre em aflições levantar problemas… Eu também não percebo nada do assunto, que não percebo…. Mas às tantas, nem que fosse só para 60 dos nossos irem descansar depois de dias enfiados naquele inferno… Se calhar… Hum?! Assim já não era muita gente. Eram os mesmo… Saíam 60 nossos, entravam 60 deles... 

Não?! Porque não?

Porque… Às tantas… Mais vale deixar arder que mostrar ao vizinho muito melhor sucedido na matéria que não fazemos a mais pálida ideia do que andamos a fazer. Verdade. Como diz o povo, não temos de dar a nossa vida a saber a ninguém e antes parecer estúpido que mostrar efectivamente que o somos… Uma coisa são meios aéreos… Andam lá no alto, um ou outro, nada sabem e pouco vêem do que se passa no terreno. Isso, tudo muito bem. Outra coisa é termos os vizinhos a meterem o nariz no nosso guisado. Logo eles, que já fizerem parangonas a dizer que não estamos preparados para lidar com isto… Filhos de uma grandessíssima, mãe!

Mas agora penso, talvez seja esta pressão externa que leve alguém a fazer alguma coisa. Têm feito grandes destaques noticiosos a propósito desta nossa triste situação (aqui, por exemplo). Talvez o espicaçar do orgulho leve alguém a fazer alguma coisa.

Talvez os espanhóis nos estejam a ajudar mais do que aquilo que pensam.

Resumindo e concluindo.

A conservação da floresta é uma prioridade. É. Toda a gente parece concordar. Alguma coisa tem que ser feita. Pois tem. Toda a gente parece concordar.

Mas…

Tudo isso custará dinheiro. Muito dinheiro. Ou é uma cagada engendrada às três pancadas... 

(entretanto... Partidos querem aprovar reforma florestal num mês: http://observador.pt/2017/06/21/partidos-querem-aprovar-reforma-florestal-num-mes/

A sério?! Here we go again...)

Mas dizia eu, ou é uma coisa mal amanhada e engendrada às três pancadas para calar o povo, mais do mesmo portanto, ou custará muito, muito, dinheiro.

Acontece no entanto que...

O orçamento de Estado não estica.

Para fazer a tal limpeza e conservação estrutural da floresta, que o país brada de dedo em riste, há dinheiro que não vai ir para outro lado. O dinheiro que se investir na floresta vai falhar na Educação, ou na Saúde, ou na Ciência, ou na Segurança, ou na Segurança social, ou na… Não sei aonde... Mas vai falhar!

E agora penso… Se questionados, quantos portugueses estariam dispostos a abdicar de algo que os afecte diretamente em prol da floresta e dos desterrados? Quantos, hum?! Não sei se seriam assim tantos... 





segunda-feira, 19 de junho de 2017

No blogue como na vida.

Custa-me verbalizar o que me aflige. O que me consome. O que me atormenta e me rouba noites de sono. E se me custa pôr em palavras o que me dói, aterroriza-me a ideia de o fazer despropositadamente. em local ou forma imprópria. Por pudor. Por respeito.

Cada vez mais este blogue é uma versão light de mim. Só tenho vontade de escrever o que me é ligeiro. As minhas graçolas, as graçolas dos meus filhos. A graçola ligeira em que amiúde transformo a minha vida para que não se me esmoreça o sorriso. E por consequência, qual circuito de dominó, os sorrisos dos que existem comigo. Lá vamos indo. A rir e a cantar, muitas vezes por entre os pingos da chuva.

Não me lembro de ter aqui escrito pesarosas palavras sobre qualquer atentado, acidente, ou catástrofe de massas. Porquê?! Como já disse, por respeito. Por pudor. Porque no post imediatamente abaixo deste tenho uma graça do meu filho. Porque não saberia que post escrever a seguir. Como se este blogue, versão ligeira de mim, não fosse digno de assuntos sérios. Porque seria desenquadrado.

Sou muito sensível.
Foram noites seguidas com pesadelos com o prédio de Londres. Um inferno, noite após noite. Acordei sobressaltada. Também eu queimada. Gritos, filhos lançados pela janela, gente fechada numa incineradora gigante... Interruptor ininterruptamente no On. O cérebro sempre ligado. Sempre lá, sempre no fogo. Ai... E as pessoas que reclamavam o número de mortos? Que eram mais, muito mais... E eu a querer irromper ecrã adentro e dizer-lhes que não, que aquele não era o número de mortos, era o número de cadáveres. Dizer-lhes que outros mortos tinham, na verdade, sido cremados. Estavam ali sim, mas desfeitos em cinzas algures naquele monstro de betão. Almas expostas a 900ºC. Inencontráveis, portanto.

Este Sábado foi um dia bom para nós. Muito bom, Fomos passar o fim de semana fora. Almoço com família alargada, sesta com o filho mais novo, dia de praia perto de perfeito. As crianças felizes. Areia e cabelos molhados. Histórias de dezenas de caranguejos, à sombra a descansar. Duches quentes que a praia foi longa e jantar ligeiro. Saí para caminhar à beira mar. Até me doerem as pernas. Eu comigo. Feliz. Na ignorância. Regressei e deitei-me a ler. Internet algures, perdida com o telemóvel, talvez no saco da praia. Adormeci cedo e cedo acordei. E vivi tudo outra vez. Aquele inferno. Aquelas labaredas. O calor. O calor que me calou. Outra vez. De site em site. Calada. Sozinha. A remoer.

E depois estrebucho. E depois grito.

Porque somos o País que deposita as fichas todas na Nossa Senhora de Fátima.
Porque somos o país que não tem um plano de emergência nacional. 
Porque somos o país que não sabe o que há de fazer quando a catástrofe chega. 

E porque há de a catástrofe chegar? 
Pois se temos o Ronaldo e o Salvador Sobral, que sentido é que isso faz? Quem poderia prever?

Porque isto não foi a queda de um autocarro ao Rio (catástrofe fechada, semelhante à queda de um avião, sabe-se exactamente quem procurar).
Porque isto não foi uma enxurrada fruto de chuva e mais chuva. Muita chuva, mas durante um espaço relativamente curto de tempo.
Não. Isto foi uma catástrofe aberta (quem?! quem procuramos?) prolongada no tempo (como?! como paramos isto?). Isto é difícil. Pois é. É difícil aqui e em qualquer parte do mundo. Mas isto não foi inesperado. Não foi um tsunami. Foi um incêndio numa zona vulnerável num dia muito quente.

Não há qualquer plano de acção para isto no nosso país. Não existe. Nem para catástrofes fechadas, nem para catástrofes abertas. Catástrofe grandes, pequenas, ou assim-assim. Em qualquer caso é, basicamente, o salve-se quem puder. Morra 1, morram 10, morram 100, morram 1000. Caia água do céu, abra-se a porta do inferno, trema a terra, caia um avião. Não há nada. Que Nossa Senhora nos proteja.

Lembrais-vos de quando se evadiram prisioneiros de Caxias ainda este ano? O que se fez?! Ligou-se o 112 e, posteriormente, deu-se o alerta por email. Por email! E isto é o que acontece. Quer seja num incidente ou numa catástrofe. Vai-se indo e vai-se vendo. E depois logo se vê e faz-se o que se pode. E depois ninguém se entende. E depois anda tudo numa roda vida a correr em frente, quase sempre afinal em círculos, sem saber para onde se vai. Quais galinhas sem cabeça. E ninguém acode. E ninguém sabe. Ninguém sabe que instituições fazem o quê, onde começam os deveres de uns e os de outros. Tudo ao molho e fé em Deus. A "articulação" entre a instituição X e a Y não é mais que uma negociata ali decidida, a quente (literalmente), e em quaisquer cinco minutos. Num desperdício absurdo dos poucos recursos que temos, Não há articulação. Não há organização. Não há prevenção. Não há nada. Nada de nada. Há fé. 

E isto não pode ter apanhado ninguém de surpresa.... Avisos e mais avisos. temperaturas incendiárias previstas. Anunciadas. Embandeiradas. Uma zona desordenada, não tratada, de pinhal e eucalipto que arde invariavelmente todos os anos. E que este ano... Num fim de semana tórrido... Olha... Foda-se... Ardeu!! E esta, hein?! É que foi mesmo imprevisível, bolas!

Mortos. Dezenas e dezenas de mortos. Gente deixada à sua sorte... Gente num inferno. 

E a culpa?! A culpa ainda há de ser da falta de formação... De voluntários!!! Voluntários a quem se exige que entrem no inferno. Porque... Porque sim, então?! Gente a quem se dá uma palmadinha nas costas, qual ossinho que se atira para debaixo da mesa ao canito.

A culpa?! A culpa há de ser do calor. E do vento. E da trovoada.

Nunca das pessoas com capacidade de decisão. Isso não. Porque o São Marcelo disse logo na noite de Sábado que se fez tudo, tudo, tudinho, o que se pôde. E logo no dia a seguir a PJ encontrou a precisa árvore onde tudo começou. Raios partam lá isto, que azar o nosso. 

Pronto, já estrebuchei. Já me calo que a partir daqui só pode sair disparate.
Talvez vá vomitar antes.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

(Artista de) Variedades.

[Jr.] Mãe, pode-se casar homem com homem?

[NM] Pode.

[Jr.] Pois. Eu já sabia. 

(...) 

[Jr.] Mas sabes o que era bom?

[NM] O quê?

[Jr.] Um homem com o cabelo muito esticadinho assim penteadinho para o lado, casar com um homem com muitos caracóis, com muito cabelo assim para cima... 

[NM] Ai é?! E então isso era bom porquê?

[Jr.] Para haver variedade.

(...)

Enfim, lógicas!

O silêncio dos outros.

É na verdade possível que o silêncio dos outros a uma nossa invectiva se deva a medo, a falta de capacidade de resposta, a implícita anuência, a comprometimento ou a falta de coragem. Diz que sim, que é possível. Há relatos.

Mas é, porém, igualmente verdade que o mais certo é que o silêncio dos outros seja só a tradução de um simples e singelo "Pró caralho, que não estou para te aturar." Assim mesmo... Sem complicações.

Não nos é o mais lisonjeiro, pois que não é. Mas bom, lá teremos de viver com isso.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Se isto não é sinal que preciso de férias então já não percebo nada...

Eu tenho uma pata de elefante. E uma planta com o mesmo nome.

Todos os dias, depois de jantar, deito-lhe a água que sobrou nos copos e sempre correu tudo muito bem. Há a rega semanal e o mimo diário. Sempre fomos muito cúmplices. Eu e a minha pata de elefante.

Mas hoje... Bom... Depois dos restos da água, hoje dei por mim a atirar-lhe para o vaso os grãos de arroz que os miúdos deixaram cair na toalha.

E a ingrata nem abanou o rabo nem nada.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu até postava alguma coisa...

Era só preciso ter alguma coisa para contar.

(...)

Quer dizer...

Não sei se conta, mas hoje ao ouvir os Deolinda dei comigo a pensar que era bem engraçado a Ana Bacalhau ter filhos com o meu amigo Zé Brás. Não era tão castiço um Francisquinho Bacalhau Brás? Era pois...




quinta-feira, 1 de junho de 2017

Selinho Blog em Bom - A escolha de NM

Antes de mais devo esclarecer que esta blogo-situação não me calhou em dia nada apropriado porque hoje é o dia do meu aniversário - Yey! Parabéns a mim! Ora então acontece que hoje tirei o dia para fazer aquilo que eu sei fazer melhor: rien de rien, que é como diz pernas ao alto, ou, por outras palavras, sopas e descanso. E claro que, como toda a gente sabe, os dias de trabalho é que são bons para isto do blogo-convívio, que nos tempos livres uma pessoa tem, enfim, mais que fazer.

Também queria deixar uma palavrinha à Palmier que criou o selinho mais parolo piroso enfim, kitcsh que pode existir à face da terra. É tão mau, tão mau, mas tão mau, que dá a volta quinze vezes e fica extraordinário.


De qualquer das formas, e assim num instante que tenho de ir acabar o nada que estive a fazer o dia todo, queria aproveitar esta fantástica oportunidade do sempre atento Pipoco Mais Salgado, para piscar o olho a um blog do qual tenho muitas saudades, numa esperançosa tentativa de o resgatar às blogo trevas. Há três bogs dos quais sinto verdadeiramente falta: os das minhas amigas xaxia e Sexinho (mas isso é outra conversa) e o TalqualmenteOutro do nosso Outro Ente, que tanta animação trouxe em tempos ao blogo-convívio.

É então o TalqualmenteOutro a minha escolha para Blog em Bom.

Outro Ente: Um grande beijinho da sua NM. Espero sinceramente que a vida lhe (vos) corra pelo melhor.

As minhas escolhas para dar continuidade a esta bonita e salutar corrente envolvendo bloggers de bem e espírito elevado são:

http://lindaporcaoucheirodeestrume.blogspot.pt/

http://amariasoueu.blogspot.pt/

http://aserioputo.blogspot.pt/

http://pseudoblogdapseudo.blogspot.pt/

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt/

Blogo-colegas, se não estiverem para o arraial, ou para o circo como disse a Mãe Preocupada, finjam-se de mortas. Aquilo da morte do panda bebé é só o Dr. Salgado na reinação.

Instruções aqui.






terça-feira, 30 de maio de 2017

Ai isto dos blogs anda uma seca?! Como assim? Ora vinde cá, vinde cá que vos vou ensinar algo que vos extasiará de tão desconcertante que é.

Não, não é o cheiro da maresia, da terra molhada, da relva recém cortada ou do café acabado de fazer ou moer. Também não é o cheiro dos livros. Nem o do pão a sair do forno.
E não, também não é o cheiro da gasolina, da cola ou da tinta. Nem o do fumeiro de Trás os Montes, vede lá.
De todos os cheiros, o que mais me emociona é, de longe, o do leite hidratante Mustela. Emociona-me. Emociona-me verdadeiramente. Cá por coisas, em casa dos meus pais sempre houve creme Mustela a rodos, pelo que até aos 18 anos a minha vida cheirou a Mustela. E é a Mustela que cheiram as minhas recordações de infância e adolescência. Uso Mustela para as mãos só para sentir o cheiro (em abono da verdade o creme não é lá grande coisa). É algo que me faz sentir que tenho a minha vida nas mãos. E tenho. Literalmente.
Sei que é um cheiro que muita gente gosta.
O que muita gente não sabe é que "Mustela", o cheiro da minha vida, é...
{rufar de tambores}
O nome científico das...
{rufar de tambores}
Do-ni-nhas!
Badum-Tsssss....
(...)
Pois é. É a vida.
Não sabieis, ora não? Pois claro que não...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Já cheira mal...

Cheira, cheira. Cheira que eu bem o sinto na pele. Do nariz.
É que eu cheiro tudo. Tudo, muito e sempre. Há dias em que me é díficil lidar com o cheiro das pessoas, dos sítios, das coisas, do Mundo em geral. Qualquer dia deixo-me de pruridos e começo a andar de mola no nariz. Já faltou mais. É que se houve coisa que as minhas duas gravidezes me trouxeram, além de dois filhos... lindos de morrer (pronto vá, ponhamos as coisas assim) e estrias, foi um olfacto apuradíssimo. Que foi ficando e ficando, que ao início tinha a sua graça, mas que agora pagava bom dinheiro para me ver livre dele.

Às vezes ponho-me a pensar que de todos os sentidos que se me podiam ter aprimorado, o olfacto teria sido a minha última opção. Quer dizer... O olfacto ou o paladar, tenho dúvidas... Ter hiper-paladar também não deve ser nada fixe.

Se na primeira gravidez fiquei com um olfacto que, sim senhora, me deixava perceber se um café tinha ou não açúcar ou se o bacalhau com natas tinha ou não pimenta; na segunda a coisa aprimorou de tal maneira que agora cheiro tudo a quilómetros e passados anos. Bom, se calhar estou a exagerar um bocadinho, mas tenho de facto um olfacto (que giro!) que me permite, por exemplo, saber quem foi o último vizinho a andar no elevador, se a fruta está madura ou se as pessoas estão a reutilizar roupa.
Por falar nisso... Pessoas, lavai a roupa. A sério. O cheiro a Dove do vosso duche matinal misturado com o cheiro a transpiração da camisa do dia anterior põe-me com náuseas logo de manhã. Neste particular, e já que falo nisto, tenho a tese que as mulheres reutilizam mais vezes a roupa (pelos menos as partes de cima) que os homens.
Já há muito que deixei de equipar o meu filho no balneário porque ao fim da tarde os putos cheiram particularmente mal. Além disso, as pequenas criaturas nunca devem tirar as sapatilhas de dentro da mochila, que lá ficam a fermentar a semana toda... E eu cheiro aquilo com as mochilas fechadas... Então quando se calçam mesmo ali ao pé de mim... Jasus! Até me dão tonturas.
Não. Não dá.



E pessoas... Não deis puns ao pé de terceiros. De mim, em particular. É chato. Põe-me muito mal disposta.
Por favor.
Obrigada.

Por-favor!


Unrequited Love.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Hoje foi o dia..

Em que me esqueci do pin do meu cartão multibanco. 

Esqueci-me, pronto! Kaputt! Foi-se! Desapareceu-me do cérebro! Vazio total. Folha em branco e bola de palha no faroeste. 

E eu ali feita parva... A tentar pagar o ATL do miúdo. Três tentativas, um cartão bloqueado e uma cabeça cheia de vento.

Agora já me lembrei (acho, pelos menos, que não consigo verificar), mas fiquei assutada e a cismar no assunto...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Contra factos...

Estimado marido é motoclista.
 
Diz que hoje foi por um triz que não foi abalroado por uma condutora que após três pontapés e um rotativo no código ainda lhe gritou um "ENTÃO?!" assertivo e carregadinho de não-razão.
Encontraram-se no semáforo em frente, marido parou ao lado e ainda lhe disse que ela poderia muito bem ter ficado sem carta graças à habilidade que tinha acabado de fazer.
Outra vez assertiva, mas desta vez carregadinha de razão, ela respondeu: "Pois podia, mas quem ia parar ao hospital eras tu."
 
E é isto.
 
Marido diz que não lhe espetou um banano porque era mulher. Ora, nem mais... Deito-me com um sexista e não sabia.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Deve ser para garantir o bom hálito...

- Oh mãe, hoje a professora disse que têm de se lavar os dentes com pasta de flor.




E foram precisos quase nove anos, para num domingo, tarde e a más horas...

Me ter apercebido que existe sinalética de saída de emergência, bem por cima da porta do meu gabinete.



E as vezes que eu já saí pela janela em momentos de aflição, senhores?!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Língua Portuguesa e a lógica da batata*.

Ora então:

Mictar: 

1. Expelir urina. = URINAR


Micterismo:

1. Semblante severo ou carregado; má catadura. = CARRANCA, SOBRECENHO
2. Dito desdenhoso ou escarnecedor. = CHACOTA, TROÇA, ZOMBARIA


Que língua mais simples e clara, esta nossa...


*E pode ser mesmo a lógica da batata do post de baixo, que tanto parece um coração como os tintins de um velhote.

"mictar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/mictar [consultado em 19-05-2017].

"micterismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/micterismo [consultado em 19-05-2017].

Adenda: O dicionário Priberam é cocó, o da Porto Editora é que é. Se fui ao Priberam é porque sou amiúde acometida de paragens cerebrais. Toda a gente sabe.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

domingo, 14 de maio de 2017

E depois acontece.

Olhas para baixo e tens uma fratura tectónica entre os pés. E sabes que tens uma e uma só opção a tomar. Mas esperas. Não decides por impulso. Já pouco fazes por impulso. A vida tem-te mostrado que o impulso pouco tem de franqueza. Acreditas até que nada mais é que fraqueza. A fraqueza da irracionalidade. Esperas. Pensas. Racionalizas. Decides. Tu. E vais, direita, para uma das placas. Pelo teu pé. Com a certeza que nada te amolecerá a verticalidade. És o que és. Aqui e ali. Em todo o lado. Para o bem e para o mal. És honesta. E vertical. E só a tua almofada sabe o quão tranquila se deita a tua consciência. Todas as noites. É tão mais simples a vida assim. Sem truques na manga. És o que és. Fazes o melhor que consegues. Às vezes consegues mais, às vezes consegues menos. Ouves os teus filhos rir com as macacadas do pai e sabes que tudo se resolverá. Porque sim. Porque a vida, às vezes, treme. Mas enquanto ouvires as teus filhos rir, o mundo tremer-te-á suavemente sob os pés. Até sorris. Com cócegas. 
Vamos lá.
Dar o salto.
Crescer.
Viver.
Tudo está bem.
É o que é.
A vida, às vezes, treme.
O mundo treme.
Tu tremes.
Mas não te vergas.
Por nada.
Antes tombar, que logo te levantas.
Viver vergada nunca.
Faz mal às costas.

sábado, 13 de maio de 2017

Tuga private.

E agora o nosso rapaz, futuro comendador - adivinho, pisava o palco, agarrava-se aos safanões aos apresentadores e gritava:

Amanhã é feriado, c@ralho!!!!

(E depois a mana Luísa e a restante comitiva começava lá trás aos pinchos... E esta merda é toda nossa, olé!, olé!... Era lindo ou não, carai?)

O problema do 13 de maio de Marcelo.

Marcelo saiu de Fátima em direção ao Marquês em marcha de emergência.
 
E eu que estou a ver o Festival da Eurovisão adivinho o F16 já de motor ligado para seguir em direção a Kiev.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Imagino a educadora a instruí-los afincadamente o dia todo para guardarem segredo e não consigo parar de rir.

[NM] E então, filho?! Foi bom o teu dia?

[Baby] Xim...

[NM] O que fizeste?!

[Baby] Não fiz um coá [colar] pa ti. Não. Não fiz!

(...)

O Dia da Mãe está aí a chegar, né?

sábado, 29 de abril de 2017

Frases que já não posso ouvir.

A proferida amiúde pela Pessoa A:

"... Blá blá blá blá.... É que uma pessoa não se pode queixar simultaneamente de A e de não A."

E a da Pessoa dos bolos:

"... Blá blá blá blá... É que uma pessoa não pode querer ter o bolo e comê-lo." 

...

... Mas com o devido distanciamento, e sendo que a Pessoa A se refere à Pessoa dos bolos e vice versa, até que é deveras cómico...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Das tatuagens da nossa prole.*

A propósito de uns comentários ali na Palmier de que só hoje me dei conta, passei o dia a arquitetar um plano para quando um dos meus ricos filhos (aposto as fichas todas no Baby) me vier com a peregrina ideia de querer fazer uma tatuagem.
Resolvi então que no dia em que for confrontada com tal, vou buscar uma folha de papel A4, uma Bic Azul Cristal e peço à cria em questão que descreva tim por tim a tatuagem que faria no dia seguinte se eu a tal acedesse. Tamanho e local. Tudo muito bem explicadinho.
Depois dobramos o papel muito bem dobradinho e guardamo-lo na gaveta das meias. Se passados dois anos, sendo que nunca antes de atingirem os 21 (se nos Estados Unidos não têm direito a comprar  uma cerveja até lá, não há de ser no Portugalinho de brandos costumes que se poderão marcar para vida; e se não estais a ver relação de uma coisa com outra é porque de facto não existe, mas isso agora também não interessa nada)... Mas dizia eu, se passados dois anos (eventualmente três ou quatro, depois logo se vê) ele ainda quiser fazer a mesmíssima tatuagem, pois força nisso. Até vou com ele.

... Claro que este é só o meu plano, ainda não discutido em sede de Assembleia parental.... Claro que há um pai com poder de veto... E ou as coisas mudam muito... Ou claro que a prole vai corrida com um não rotundo finamente delineado a um nem quero voltar a ouvir falar do assunto...


*Tenho sentimentos ambivalentes relativamente ao assunto no sentido em que reconheço que os tatuadores são uns artistas do caracinhas. Até vos digo que um dos meus guilty pleasures do momento é um programa de tatuagens que dá na Sic Radical. Vejo os episódios todos. Todinhos. Mas, e apesar de reconhecer a arte, quantos mais episódios vejo mais certezas tenho que jamais me tatuarei (sendo que, ainda assim, só o faria num local que por norma ande debaixo da roupa porque não gosto de ver). Pois se aqueles, alguns tatuadores experientes e reconhecidos, fazem em praticamente todos os episódios, inenarráveis cacaborradas, nem quero imaginar as obras de arte que sairão dos estúdios de tatuagem espalhados por esse mundo fora. Nope. Não na minha carninha.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

O cúmulo da distração.

[Estimado marido, comigo à conversa no quarto, tendo o jantar a seu cargo] Ssssssss.... Esqueci-me do esparregado ao lume...

E sai disparado. Volta em menos de nada.

[NM]  E então?! Queimou?!

[Estimado marido] Não. Tinha-me esquecido de ligar o fogão.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Pois é, Be... Já o Jr...


NM: E o que achas deste quadro?


E então, Palmier?! Alinhas? Vendemos isto ao avô? ;)

E lá podia este rapaz deixar de tentar fazer negócio?!

Desta arte... Desta arte é que o Jr. havia de gostar...