quinta-feira, 22 de junho de 2017

Afinal... Quanto maiores os testículos, maiores os cornos.

Post da série: "Títulos do caralhão" inusitadamente iniciada pela querida Susana Rodrigues.

Para finalizar o tema dos incêndios gostava só de lembrar que quando arde floresta, não são só as árvores que se vão. Tudo quanto é bicho se fina, igualmente.

No distrito de Bragança, por exemplo, reside a maior população de cervos do país, também há lobos, corços, cabras-montês, raposas, javalis, gatos bravos, "ratos-do-lameiro" (desconhecidos no resto do país), coelhos bravos, lebres, ouriços cacheiros, raposas e esquilos, águias, corujas, falcões, mochos e cegonhas, cobras, licranços e víboras cornudas.

Há. Ainda há. Mas toda esta riqueza depende exclusivamente da floresta. Com os incêndios também ela arde. Também ela se perde.

Não são só as árvores que se vão. Estes também.

Pronto. Era só mesmo isto.

(...)

Agora para desanuviar o ambiente e fechar aqui o blogo-capítulo incêndios que muito me tem desgastado explico-vos o título.

O veado vermelho é o maior mamífero da Península Ibérica e os machos possuem um grande par de hastes. Sim, "hastes" (caem e voltam a crescer a cada ano); não "cornos" (que não caem) como escrevi no título... Mas bom, lá conseguiria eu resistir a título tão do... Enfim, coiso.

O tamanho das hastes está relacionado com a idade do animal, pelo que a cada ano estes desenvolvem hastes maiores (que perdem depois da reprodução, começando a nascer novamente passadas quatro ou cinco semanas).
É de facto impressionante como é que se desenvolvem estruturas daquelas apenas num ano.
E o que aquilo pesa, senhores?!

Mas...

O tamanho das hastes também está diretamente relacionado com o tamanho dos testículos do animal (quantidade de testosterona produzida).

Sendo que, machos só com um testículo (muito raros) só têm uma haste. Geralmente pequena.

Sendo, igualmente, que estes machos só com um testículo costumam ser fatais quando lutam com os pares por altura da época de acasalamento* porque em vez de "encaixarem" o par de hastes no do vizinho, simplesmente espetam a pequena haste que têm mandando o vizinho bi testicular para o céu dos machos alfa wannabe.

Pronto. Era só.

Dizei lá que não aprendeis coisas interessantes comigo, hum?! 



*Entre Setembro e Novembro. Podeis ir ver e contribuir para o desenvolvimento regional. É a única época do ano em que os machos socializam com as fêmeas. Os machos bramem muito alto e andam todos (machos e fêmeas) mais ativos a cirandar pelo monte. É a melhor época para os observar. Pesquisai brama do veado no Parque Natural de Montesinho e fazei-vos à vida. Não deiteis beatas pelas janelas do automóvel se fizerdes o favor.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Nunca, NUNCA, ninguém quis saber…

Ontem ao ler este post da flor percebi que ia ter que voltar a pôr o dedo na ferida. 
Por muito que me custe. Não ficaria bem comigo se não o fizesse.

Também eu carrego muita raiva e, como lá disse, não é de agora em virtude destas almas que se foram. Também eu nasci e cresci no interior rural e desde que tenho consciência de mim que me lembro do cheiro a terra queimada, de ver in loco gente a chorar, desesperada. Uns anos tocava a uns, uns anos tocava a outros. Solidariedade de uns anos para os outros. Agora ajudas-me tu, para o ano ajudo-te eu. Morria sempre gente, o sicrano ou o beltrano, do sítio de além ou do de aquém, que munido de giestas foi abafar o fogo. Que os bombeiros haviam chegado tarde. E se não tivessem sido os homens das giestas então é que haveria de ter sido bonito. 

Todos. Todos. Todos os anos. Qual desgraça anunciada. Sempre o mesmo filme. Sempre. No telejornal eram certas como a morte a reportagem sobre os incêndios e a reportagem das filas de trânsito na Nacional Azul a caminho do Algarve. Certo como a noite que chega depois do dia. Assim continua. Tirando a parte da nacional. As nacionais que agora só estão lá como alternativa, como via de fuga. Ou não.

Fatal como o destino. Os verões da minha infância/juventude cheiraram invariavelmente a terra queimada. Mais perto ou mais longe. Mas o cheiro chegava sempre. Durante vários dias respirava cinzas. Triste fado! 

NUNCA, repito NUNCA, ninguém quis saber… 

Não é de agora, nem deste governo nem do anterior, nem do passado. Nunca ninguém quis saber. Nunca ninguém fez nada com pés e cabeça, com futuro, com estrutura.

Décadas depois tudo igual. Sempre os mesmos desgraçado, desgarrados, a sofrer na pele. Portugueses de segunda, praticamente tribais.

Nunca ninguém quis saber e assim continuará… 

Porquê?!

Porque planear algo neste foro custa dinheiro, muito dinheiro, e levará tempo, não muito mas ainda assim tempo, a dar frutos. Não compensa. Na nossa cultura política imediatista, populista, tachista e oportunista, não compensa investir. Mais vale ter fé na Nossa Senhora e esperar que os hectares ardidos não sejam mais que os do governo anterior. Isso basta para se celebrar.

Porque a nossa floresta não é economicamente rentável e porque quem sofre as consequências são meia dúzia de gatos pingados sem expressão eleitoral. E toda a falta de estrutura, gestão e organização se baseia simplesmente nisto. É dinheiro sem retorno.

Porque é utópica a questão de obrigar os privados a limpar os terrenos. Os “privados” de que falamos são os pobres, os tais difíceis de salvar como disse o nosso PR. Os terrenos de que falamos são terrenos agora sem valor económico, terrenos não registados, terrenos que foram herdados ou comprados a vizinhos com o dinheiro da venda dos vitelos numa altura em que ainda se tinha força para fazer alguma coisa e antes dos filhos emigrarem para a França. Não são do Estado, pois não, mas também não se sabe de quem são. São terrenos de ninguém.  São delimitados por pedras e árvores e quando muito haverá um papel escrito à mão a confirmar a transação. São micro parcelas de terreno de 400 m2. Já nem sequer existem caminhos para se chegar aos do monte. Só a pé com uma catana a desbravar caminho por entre os terrenos vizinhos, qual Rambo. 
A sério? Como se faz? Como se pode obrigar?... Não obriga. Assume o Estado a limpeza, e é se quer. Por outro lado, quem os registou, tem ali nada mais nada menos que um fardo e um mundo de preocupações. Tomaram muitos privados, donos de terrenos, ser nesta altura expropriados.  (Outra coisa, será a gestão da floresta feita pelas concessionárias das estradas, por exemplo… Não é disso que falo.)

Porque o pôr militares, reclusos, beneficiários do subsídio de desemprego ou de outros a limpar a mata não funciona. Simplesmente não funciona. É tentado há mais de dez anos, com despachos em Diário da República e tudo, como manda a sapatilha, mas… Na prática não funcionou. Porquê não sei, mas não funcionou.

Porque a reflorestação se faz à base de pinheiros e eucaliptos (estes, originários da vizinha Austrália, que já representam um quarto da floresta nacional). Porque os carvalhos ou sobreiros demoram muito tempo a crescer (é preciso esperar 25 anos até se conseguir tirar cortiça de um sobreiro) e porque, já se sabe, montes pelados ainda que nos entretantos são muito pouco sexy. Era preciso haver uma concertação praticamente intergeracional entre os diversos governos. Não vai acontecer. Porque o eucalipto ainda que sendo inflamável dificilmente morre num fogo. Diziam-me os velhos, quando fizeram da Serra Marão um enorme eucaliptal, algures nos inícios dos 90s, que eram árvores demoníacas aquelas. Que a cada fogo por que passavam, recuperavam cada vez mais rápido e mais fortes. Parecia que gostavam de fogo, as diabas. Refloresta-se com eucalipto porque é mais fácil. Pronto. E até cheiram bem e tudo.  E são verdes. Pronto, está resolvido. Secam tudo o que há à volta, mas isso não interessa. Ninguém sabe, ninguém quer saber, o que importa é haver sombra para aquele piquenique pitoresco que uma vez no ano decidimos fazer para proporcionar às nossas crianças o contacto com a natureza. Cá agora questiúnculas de árvores. É tudo verde, carai. Tudo igual. (Nesta altura dos post já nem sei se ria se chore...)


Porque há três estruturas com responsabilidades na defesa da floresta e gestão de incêndios. Não uma: Três! O Instituto de Conservação da Natureza (Ministério de Agricultura), a GNR e a Proteção Civil (ambos do Ministério da Administração Interna). Ora, pois que já devíamos ter a capacidade analítica de perceber que estas co-responsabilidades entre instituições nunca funcionam, apesar de, lá está, na teoria serem muito lindas. Não funcionam porque cada instituição é uma capela, cada capela acha-se mais importante que a outra, cada capela tem os seus directores e presidentes, cada qual com o seu umbigo. Quando corre bem, dão os três pulos de alegria, com as conversas dentro de cada capela a ir ao encontro do “Se não fossemos nós…”. Cada uma das três… “Ai se não fossemos nós…”. Quando dá para o torto, cada uma das três sacode a água do capote o mais ferozmente que consegue. “Não, desculpa, isto é da responsabilidade deles…” Não dá. Não funciona. Não há abnegação nem maturidade para tal. Muito lindo no papel, mas não dá.

Porque… E como já referi anteriormente num post sobre o Vara e a CGD não se podem pôr bons… sei lá, amigos, digamos assim, aos comandos de um Boeing só porque estes têm carta de ligeiros. Não dá. Vai dar merda. Eu conheço gente muito capaz em muita coisa. O meu marido, por exemplo, é muito capaz lá nos algoritmos dele. Eu também lhe tenho estima e é muito boa pessoa. E também percebe de números e é um curioso da biologia. Mas nunca, em consciência e responsabilidade, o indicaria para gerir, sei lá, o hospital de São João. Só poderia dar merda, não é?! Pois é… (Mas o meu marido é uma pessoa muito capaz, que disso não restam dúvidas.) E temos um secretário de Estado que é um porreiro, grande amigo de Costa, e de Vara já agora, e temos uma ministra que, pronto, alguém com ligações partidárias me disse que andou com ela ao colo. Pronto, vá. Por si só isso não lhe tira mérito é verdade, todos andámos ao colo de alguém. Mas essa ministra recusa ajuda, pronta à espera na fronteira. Com o argumento de que muita gente atrapalha… É perigoso. Pois é. Verdade. Gente impreparada, munida de giestas a tentar abafar o fogo ao pé de bombeiros são mais uma fonte de preocupação que uma ajuda. Concordamos todos, senhora ministra. Não somos estúpidos. Agora... Ter gente formada e preparada a pedir para ajudar, e o pobre em aflições levantar problemas… Eu também não percebo nada do assunto, que não percebo…. Mas às tantas, nem que fosse só para 60 dos nossos irem descansar depois de dias enfiados naquele inferno… Se calhar… Hum?! Assim já não era muita gente. Eram os mesmo… Saíam 60 nossos, entravam 60 deles... 

Não?! Porque não?

Porque… Às tantas… Mais vale deixar arder que mostrar ao vizinho muito melhor sucedido na matéria que não fazemos a mais pálida ideia do que andamos a fazer. Verdade. Como diz o povo, não temos de dar a nossa vida a saber a ninguém e antes parecer estúpido que mostrar efectivamente que o somos… Uma coisa são meios aéreos… Andam lá no alto, um ou outro, nada sabem e pouco vêem do que se passa no terreno. Isso, tudo muito bem. Outra coisa é termos os vizinhos a meterem o nariz no nosso guisado. Logo eles, que já fizerem parangonas a dizer que não estamos preparados para lidar com isto… Filhos de uma grandessíssima, mãe!

Mas agora penso, talvez seja esta pressão externa que leve alguém a fazer alguma coisa. Têm feito grandes destaques noticiosos a propósito desta nossa triste situação (aqui, por exemplo). Talvez o espicaçar do orgulho leve alguém a fazer alguma coisa.

Talvez os espanhóis nos estejam a ajudar mais do que aquilo que pensam.

Resumindo e concluindo.

A conservação da floresta é uma prioridade. É. Toda a gente parece concordar. Alguma coisa tem que ser feita. Pois tem. Toda a gente parece concordar.

Mas…

Tudo isso custará dinheiro. Muito dinheiro. Ou é uma cagada engendrada às três pancadas... 

(entretanto... Partidos querem aprovar reforma florestal num mês: http://observador.pt/2017/06/21/partidos-querem-aprovar-reforma-florestal-num-mes/

A sério?! Here we go again...)

Mas dizia eu, ou é uma coisa mal amanhada e engendrada às três pancadas para calar o povo, mais do mesmo portanto, ou custará muito, muito, dinheiro.

Acontece no entanto que...

O orçamento de Estado não estica.

Para fazer a tal limpeza e conservação estrutural da floresta, que o país brada de dedo em riste, há dinheiro que não vai ir para outro lado. O dinheiro que se investir na floresta vai falhar na Educação, ou na Saúde, ou na Ciência, ou na Segurança, ou na Segurança social, ou na… Não sei aonde... Mas vai falhar!

E agora penso… Se questionados, quantos portugueses estariam dispostos a abdicar de algo que os afecte diretamente em prol da floresta e dos desterrados? Quantos, hum?! Não sei se seriam assim tantos... 





segunda-feira, 19 de junho de 2017

No blogue como na vida.

Custa-me verbalizar o que me aflige. O que me consome. O que me atormenta e me rouba noites de sono. E se me custa pôr em palavras o que me dói, aterroriza-me a ideia de o fazer despropositadamente. em local ou forma imprópria. Por pudor. Por respeito.

Cada vez mais este blogue é uma versão light de mim. Só tenho vontade de escrever o que me é ligeiro. As minhas graçolas, as graçolas dos meus filhos. A graçola ligeira em que amiúde transformo a minha vida para que não se me esmoreça o sorriso. E por consequência, qual circuito de dominó, os sorrisos dos que existem comigo. Lá vamos indo. A rir e a cantar, muitas vezes por entre os pingos da chuva.

Não me lembro de ter aqui escrito pesarosas palavras sobre qualquer atentado, acidente, ou catástrofe de massas. Porquê?! Como já disse, por respeito. Por pudor. Porque no post imediatamente abaixo deste tenho uma graça do meu filho. Porque não saberia que post escrever a seguir. Como se este blogue, versão ligeira de mim, não fosse digno de assuntos sérios. Porque seria desenquadrado.

Sou muito sensível.
Foram noites seguidas com pesadelos com o prédio de Londres. Um inferno, noite após noite. Acordei sobressaltada. Também eu queimada. Gritos, filhos lançados pela janela, gente fechada numa incineradora gigante... Interruptor ininterruptamente no On. O cérebro sempre ligado. Sempre lá, sempre no fogo. Ai... E as pessoas que reclamavam o número de mortos? Que eram mais, muito mais... E eu a querer irromper ecrã adentro e dizer-lhes que não, que aquele não era o número de mortos, era o número de cadáveres. Dizer-lhes que outros mortos tinham, na verdade, sido cremados. Estavam ali sim, mas desfeitos em cinzas algures naquele monstro de betão. Almas expostas a 900ºC. Inencontráveis, portanto.

Este Sábado foi um dia bom para nós. Muito bom, Fomos passar o fim de semana fora. Almoço com família alargada, sesta com o filho mais novo, dia de praia perto de perfeito. As crianças felizes. Areia e cabelos molhados. Histórias de dezenas de caranguejos, à sombra a descansar. Duches quentes que a praia foi longa e jantar ligeiro. Saí para caminhar à beira mar. Até me doerem as pernas. Eu comigo. Feliz. Na ignorância. Regressei e deitei-me a ler. Internet algures, perdida com o telemóvel, talvez no saco da praia. Adormeci cedo e cedo acordei. E vivi tudo outra vez. Aquele inferno. Aquelas labaredas. O calor. O calor que me calou. Outra vez. De site em site. Calada. Sozinha. A remoer.

E depois estrebucho. E depois grito.

Porque somos o País que deposita as fichas todas na Nossa Senhora de Fátima.
Porque somos o país que não tem um plano de emergência nacional. 
Porque somos o país que não sabe o que há de fazer quando a catástrofe chega. 

E porque há de a catástrofe chegar? 
Pois se temos o Ronaldo e o Salvador Sobral, que sentido é que isso faz? Quem poderia prever?

Porque isto não foi a queda de um autocarro ao Rio (catástrofe fechada, semelhante à queda de um avião, sabe-se exactamente quem procurar).
Porque isto não foi uma enxurrada fruto de chuva e mais chuva. Muita chuva, mas durante um espaço relativamente curto de tempo.
Não. Isto foi uma catástrofe aberta (quem?! quem procuramos?) prolongada no tempo (como?! como paramos isto?). Isto é difícil. Pois é. É difícil aqui e em qualquer parte do mundo. Mas isto não foi inesperado. Não foi um tsunami. Foi um incêndio numa zona vulnerável num dia muito quente.

Não há qualquer plano de acção para isto no nosso país. Não existe. Nem para catástrofes fechadas, nem para catástrofes abertas. Catástrofe grandes, pequenas, ou assim-assim. Em qualquer caso é, basicamente, o salve-se quem puder. Morra 1, morram 10, morram 100, morram 1000. Caia água do céu, abra-se a porta do inferno, trema a terra, caia um avião. Não há nada. Que Nossa Senhora nos proteja.

Lembrais-vos de quando se evadiram prisioneiros de Caxias ainda este ano? O que se fez?! Ligou-se o 112 e, posteriormente, deu-se o alerta por email. Por email! E isto é o que acontece. Quer seja num incidente ou numa catástrofe. Vai-se indo e vai-se vendo. E depois logo se vê e faz-se o que se pode. E depois ninguém se entende. E depois anda tudo numa roda vida a correr em frente, quase sempre afinal em círculos, sem saber para onde se vai. Quais galinhas sem cabeça. E ninguém acode. E ninguém sabe. Ninguém sabe que instituições fazem o quê, onde começam os deveres de uns e os de outros. Tudo ao molho e fé em Deus. A "articulação" entre a instituição X e a Y não é mais que uma negociata ali decidida, a quente (literalmente), e em quaisquer cinco minutos. Num desperdício absurdo dos poucos recursos que temos, Não há articulação. Não há organização. Não há prevenção. Não há nada. Nada de nada. Há fé. 

E isto não pode ter apanhado ninguém de surpresa.... Avisos e mais avisos. temperaturas incendiárias previstas. Anunciadas. Embandeiradas. Uma zona desordenada, não tratada, de pinhal e eucalipto que arde invariavelmente todos os anos. E que este ano... Num fim de semana tórrido... Olha... Foda-se... Ardeu!! E esta, hein?! É que foi mesmo imprevisível, bolas!

Mortos. Dezenas e dezenas de mortos. Gente deixada à sua sorte... Gente num inferno. 

E a culpa?! A culpa ainda há de ser da falta de formação... De voluntários!!! Voluntários a quem se exige que entrem no inferno. Porque... Porque sim, então?! Gente a quem se dá uma palmadinha nas costas, qual ossinho que se atira para debaixo da mesa ao canito.

A culpa?! A culpa há de ser do calor. E do vento. E da trovoada.

Nunca das pessoas com capacidade de decisão. Isso não. Porque o São Marcelo disse logo na noite de Sábado que se fez tudo, tudo, tudinho, o que se pôde. E logo no dia a seguir a PJ encontrou a precisa árvore onde tudo começou. Raios partam lá isto, que azar o nosso. 

Pronto, já estrebuchei. Já me calo que a partir daqui só pode sair disparate.
Talvez vá vomitar antes.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

(Artista de) Variedades.

[Jr.] Mãe, pode-se casar homem com homem?

[NM] Pode.

[Jr.] Pois. Eu já sabia. 

(...) 

[Jr.] Mas sabes o que era bom?

[NM] O quê?

[Jr.] Um homem com o cabelo muito esticadinho assim penteadinho para o lado, casar com um homem com muitos caracóis, com muito cabelo assim para cima... 

[NM] Ai é?! E então isso era bom porquê?

[Jr.] Para haver variedade.

(...)

Enfim, lógicas!

O silêncio dos outros.

É na verdade possível que o silêncio dos outros a uma nossa invectiva se deva a medo, a falta de capacidade de resposta, a implícita anuência, a comprometimento ou a falta de coragem. Diz que sim, que é possível. Há relatos.

Mas é, porém, igualmente verdade que o mais certo é que o silêncio dos outros seja só a tradução de um simples e singelo "Pró caralho, que não estou para te aturar." Assim mesmo... Sem complicações.

Não nos é o mais lisonjeiro, pois que não é. Mas bom, lá teremos de viver com isso.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Se isto não é sinal que preciso de férias então já não percebo nada...

Eu tenho uma pata de elefante. E uma planta com o mesmo nome.

Todos os dias, depois de jantar, deito-lhe a água que sobrou nos copos e sempre correu tudo muito bem. Há a rega semanal e o mimo diário. Sempre fomos muito cúmplices. Eu e a minha pata de elefante.

Mas hoje... Bom... Depois dos restos da água, hoje dei por mim a atirar-lhe para o vaso os grãos de arroz que os miúdos deixaram cair na toalha.

E a ingrata nem abanou o rabo nem nada.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Eu até postava alguma coisa...

Era só preciso ter alguma coisa para contar.

(...)

Quer dizer...

Não sei se conta, mas hoje ao ouvir os Deolinda dei comigo a pensar que era bem engraçado a Ana Bacalhau ter filhos com o meu amigo Zé Brás. Não era tão castiço um Francisquinho Bacalhau Brás? Era pois...